Especialista analisa possíveis consequências de adiamento em sessão do STF

Gustavo Sampaio, docente de Direito Constitucional na Universidade Federal Fluminense (UFF), se manifestou no programa CNN Agora, no último domingo (13), sobre a possibilidade de adiamento da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) prevista para a terça-feira (15). Ele avaliou que a falta de informações repassadas por André Mendonça aos magistrados não deve justificar a postergação da reunião.

Sampaio destacou que ter acesso ao conteúdo completo, que gerou uma série de ofícios trocados ao longo do fim de semana, não é um fator determinante. No entanto, ele reconhece que a qualidade da decisão pode ser aprimorada com um maior número de elementos probatórios. "Investigar não é acusar ninguém, muito menos condenar ninguém. Investigar é sair em campo em busca da produção da verdade", afirmou.

O professor enfatizou que a argumentação sobre a necessidade de mais informações não deve ser utilizada como justificativa para atrasos. Em sua opinião, permitir adiamentos sem justificativa adequada poderia agravar a imagem do STF. "Isso poderia intensificar a nuvem de desconfiança que paira sobre a Praça dos Três Poderes", alertou.

Sampaio defendeu que os juízes devem ter acesso amplo a informações, desde que isso não comprometa a cronologia dos trabalhos estabelecida por Edson Fachin. Ele considerou a decisão de Fachin de analisar os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça em sessões separadas como "ponderada, razoável e cronologicamente adequada".

O docente explicou que, no caso de Mendonça, ainda existem prazos processuais a serem cumpridos, o que justifica a designação de uma data posterior. Além disso, ressaltou que as condutas investigadas em cada situação são de naturezas distintas, o que torna imprudente a análise simultânea. "Não faria bem a uma sessão que já será tormentosa que ambas as suposições de falhas sejam julgadas ao mesmo tempo", observou.

Sampaio também comentou sobre a transmissão ao vivo da sessão, presidida por Edson Fachin, indicando que essa medida é essencial para assegurar transparência nas atividades do tribunal. "A sociedade brasileira merece acesso ao que acontece no âmago das suas instituições. Isso é necessário para restaurar a credibilidade em um momento de tensão", declarou.

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