A sessão do Tribunal do Júri em Maringá, realizada nesta quarta-feira (16), trouxe uma reviravolta significativa no caso da morte de Eduarda Shigematsu, que ocorreu em abril de 2019. Durante o julgamento, o pai da menina surpreendeu a todos ao admitir os crimes, respondendo com um "sim, confesso tudo". Após essa declaração, ele optou por permanecer em silêncio e não respondeu a mais perguntas.
Até o momento, a defesa do réu sustentava que ele não havia cometido o crime, alegando que havia encontrado a filha já sem vida e que, em seguida, ocultou o corpo. A confissão do pai ocorreu mais de sete anos após a morte da menina, e segundo o assistente de acusação, Hugo Campitelli Zuan Esteves, a afirmação tem um peso significativo para a família de Eduarda.
"Depois de mais de sete anos de espera, ouvir essa declaração dentro do Tribunal do Júri tem um peso muito grande para a família da Eduarda. Evidentemente, o julgamento ainda não terminou e agora cabe aos jurados, com base em tudo o que foi produzido no processo e apresentado em plenário, dar a resposta final a este caso", afirmou o assistente de acusação.
Apesar da confissão, o julgamento ainda segue. A sessão foi suspensa e está agendada para ser retomada na quinta-feira (17), às 8h30, quando os debates entre acusação e defesa serão retomados. Esta audiência é o desdobramento de um processo que já enfrentou oito adiamentos desde 2022.
Eduarda Shigematsu foi encontrada morta em 24 de abril de 2019, em Rolândia, na Região Metropolitana de Londrina. Seu corpo foi descoberto enterrado em uma propriedade da família, com as mãos e os pés amarrados, apenas quatro dias após sua morte.
O julgamento teve início recentemente em Maringá após a transferência do caso, que ocorreu por meio de uma decisão de desaforamento. Essa medida permite que um julgamento do Tribunal do Júri seja realizado em outra localidade quando há preocupações sobre a imparcialidade ou a segurança do processo. Agora, após a confissão do réu, a acusação e a defesa apresentarão seus argumentos aos jurados, que, em seguida, deliberarão sobre a responsabilidade do pai nas acusações.