Kākāpō: Espécie em risco atinge recorde de população após anos de conservação

O kākāpō, uma espécie de papagaio que não voa e apresenta hábitos noturnos, alcançou um importante marco em sua recuperação, atingindo uma população de 325 indivíduos após a temporada de reprodução de 2026. Este aumento inclui 90 filhotes que sobreviveram e foram oficialmente integrados ao total populacional.

Esse número representa a maior quantidade de kākāpō já registrada desde o início do atual programa de conservação, que começou em 1995, quando a população era de apenas 51 aves, sendo 31 machos e 20 fêmeas. Apesar desse avanço, a espécie continua classificada como criticamente ameaçada e necessita de áreas protegidas e monitoramento constante para garantir sua sobrevivência.

O kākāpō se destaca por ser o papagaio mais pesado do mundo, com machos podendo chegar a cerca de 4 quilos. Além de não conseguir voar, esse animal se desloca principalmente pelo chão. O comportamento de acasalamento do kākāpō é peculiar, já que utiliza um sistema conhecido como lek, onde os machos se reúnem em determinadas áreas para atrair as fêmeas. Durante esse processo, eles passam semanas preparando o local e realizando vocalizações graves, chamadas de “booms”, durante a noite.

A reprodução do kākāpō não ocorre anualmente, mas sim a cada dois a quatro anos, dependendo da produção de frutos pelas árvores rimu. As fêmeas colocam de um a cinco ovos, mas geralmente apenas um filhote chega a deixar o ninho por temporada.

A recuperação da espécie, que começou oficialmente em 1995, ainda enfrenta desafios, como a baixa diversidade genética que impacta a fertilidade e o sucesso na eclosão dos ovos. A nova população de 325 aves foi possível através de uma mudança na estratégia de conservação. Anteriormente, a prioridade era a intervenção máxima para garantir a sobrevivência de cada ovo e filhote. Contudo, com o aumento populacional, os pesquisadores estão testando uma abordagem com menos intervenção, permitindo que mais ovos permaneçam nos ninhos e reduzindo a alimentação suplementar em algumas áreas.

Essa nova estratégia visa preparar o kākāpō para um futuro em que consiga se reproduzir e sobreviver de maneira mais independente. Apesar do marco de 325 indivíduos, a espécie ainda enfrenta ameaças significativas, como predadores, doenças, a continua baixa diversidade genética e a falta de habitats seguros. Portanto, esse crescimento não indica que o kākāpō não esteja mais em perigo, mas sim que a colaboração entre reprodução, monitoramento, tecnologia e proteção de habitat pode levar à recuperação de uma espécie que esteve à beira da extinção.

PUBLICIDADE

VIDEOS

Relacionadas: