O setor de fertilizantes fosfatados no Brasil enfrenta um cenário desafiador no início da safra de verão de grãos, com pressão significativa sobre os preços e a disponibilidade de insumos. A analista da Safras & Mercado, Maísa Romanello, aponta que a situação é crítica, com preços elevados e uma oferta limitada de produtos.
A escassez de enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes, atinge níveis recordes devido ao conflito no Oriente Médio, uma vez que mais de 40% das exportações globais dessa substância passam pelo estreito de Ormuz. Essa situação resultou em preços altos, levando a indústria de fertilizantes fosfatados a reduzir ou interromper sua produção, em resposta às margens de lucro apertadas ou até negativas.
Os agricultores também enfrentam dificuldades, pois a alta nos preços resultou em uma queda na demanda por fertilizantes fosfatados, considerados inacessíveis por muitos produtores nesta safra. Essa diminuição na demanda, aliada à queda na produção, permitiu que o preço do enxofre recuasse, com uma redução de 85 dólares na semana da análise, totalizando uma queda de 185 dólares em um mês.
Apesar das quedas recentes, Romanello alerta que o mercado permanece sensível e qualquer nova movimentação na demanda pode elevar novamente os preços. A escassez de insumos continua sendo um problema, especialmente enquanto o conflito no Oriente Médio não encontrar uma solução, situação que parece distante no momento.
Adicionalmente, a indústria brasileira de fertilizantes enfrenta dificuldades estruturais. Embora a produção nacional de fosfatados seja relativamente confortável em comparação a outros nutrientes, o Brasil ainda depende da importação de enxofre, o que aumenta os custos em momentos de crise geopolítica. Romanello enfatiza a necessidade de melhorar a competitividade interna e implementar políticas públicas de incentivo, como subsídios, para garantir a manutenção e o crescimento da produção nacional nos próximos anos.
Outro aspecto preocupante é o atraso nas importações de ureia, que afeta a segunda safra, especialmente a do milho. O volume importado de janeiro a agosto de 2026 está mais de 20% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Com a aproximação da segunda safra, o Brasil deve retomar as compras para reabastecer os estoques, e os fornecedores já estão ajustando os preços no mercado internacional, cientes da necessidade de aquisição por parte do país.