No mês de agosto, uma enorme massa de gelo com área superior a 76 quilômetros quadrados se desprendeu da plataforma Petermann, localizada na costa noroeste da Groenlândia. A ocorrência despertou o interesse dos cientistas, não apenas por seu tamanho, mas também pela fratura que deu origem a esse iceberg, que foi considerada inesperada.
O que realmente surpreendeu os pesquisadores foi a notável resistência do iceberg. Após uma colisão direta com a Ilha Joe, um pequeno afloramento rochoso na saída do fiorde Petermann, a estrutura manteve-se intacta. Esse fenômeno oferece uma oportunidade única para os cientistas compreenderem os processos físicos que ocorrem nas plataformas de gelo e entenderem como esses gigantes de gelo são monitorados, além de por que alguns icebergs permanecem sólidos enquanto outros se fragmentam.
Os desprendimentos de icebergs nas plataformas da Groenlândia durante o verão são eventos naturais que ocorrem anualmente. Especialistas afirmam que esse fenômeno é parte do comportamento normal dos grandes sistemas de gelo. Em agosto, a plataforma Petermann registrou seu maior desprendimento desde 2012, resultando em um iceberg com área equivalente ao tamanho de Saint Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas.
Esse evento é considerado o maior desprendimento registrado no Ártico nos últimos seis anos. Os cientistas que monitoram a região observam que esses processos são desencadeados pela formação de fissuras nas línguas de gelo, que, sob condições específicas, podem se propagar completamente pela estrutura.
Adam Garbo, um estudante de doutorado da Universidade de Ottawa, foi o responsável por identificar o desprendimento em 4 de agosto, utilizando imagens de satélite fornecidas pela Agência Espacial Europeia. Ele e sua equipe estavam acompanhando a plataforma de perto, pois várias fissuras significativas já tinham se formado. Embora os cientistas esperassem que essas fraturas causassem um rompimento, a separação ocorreu a partir de uma fissura diferente, que se projetou para sudoeste, entrando no Estreito de Nares.
A resistência do iceberg após a colisão contrariou as expectativas baseadas em eventos anteriores e nas características conhecidas dos icebergs da plataforma Petermann. No entanto, os pesquisadores alertam que, com o tempo, o iceberg se tornará cada vez mais vulnerável devido à ação das marés, correntes e ao degelo.