Câncer ginecológico: sinais que muitas mulheres ainda confundem com alterações comuns do organismo

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Setembro amplia a conscientização sobre tumores que atingem o aparelho reprodutor feminino; Paraná deve registrar mais de 2 mil novos casos de câncer de colo do útero, ovário e corpo do útero em 2026

 

 

 

 

 

Sangramento fora do período menstrual ou depois da menopausa, aumento persistente do volume abdominal, dor pélvica, sensação de estufamento e alterações urinárias ou intestinais. Isoladamente, esses sintomas podem estar relacionados a inúmeras condições. Quando persistem, no entanto, não devem ser naturalizados.

O alerta ganha espaço em setembro, mês que concentra iniciativas de conscientização sobre os cânceres ginecológicos, também identificado em diferentes mobilizações pela cor roxa. O IOP – Instituto de Oncologia do Paraná, aproveita o período para chamar atenção para um grupo de tumores que, embora compartilhem a região do organismo em que se desenvolvem, apresentam diferenças importantes na origem, nos fatores de risco, nos sintomas e nas possibilidades de prevenção.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 19.310 novos casos de câncer do colo do útero, 9.650 de corpo do útero e 8.020 de ovário no Brasil. Somados, são quase 37 mil diagnósticos esperados somente nesses três tipos de câncer. Entre as mulheres brasileiras, o câncer do colo do útero aparece como o terceiro tumor mais incidente, quando excluídos os casos de pele não melanoma.

No Paraná, a estimativa para este ano é de 1.120 novos casos de câncer do colo do útero, 470 de ovário e 450 de corpo do útero, totalizando 2.040 diagnósticos.  “Quando falamos em câncer ginecológico, não estamos falando de uma única doença. São tumores com características muito diferentes e isso muda desde a prevenção até a forma de investigar e tratar. O que eles têm em comum é a importância de a mulher conhecer o próprio corpo e procurar avaliação quando percebe uma alteração que persiste ou foge do seu padrão habitual”, explica Dra. Rosane R. Johnsson, médica oncologista clínica do IOP.

Nem todo câncer ginecológico pode ser prevenido da mesma forma

Essa talvez seja uma das informações mais importantes para a conscientização. Entre os principais cânceres ginecológicos, o de colo do útero tem uma particularidade: está fortemente relacionado à infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano, o HPV, e dispõe de estratégias efetivas de prevenção.

A vacinação contra o HPV é a principal medida para evitar a infecção. Atualmente, o Calendário Nacional de Vacinação prevê dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Em 2026, o Ministério da Saúde também prorrogou até 31 de dezembro a estratégia de resgate para jovens de 15 a 19 anos que não foram vacinados anteriormente.

A prevenção do câncer do colo do útero também passa pelo rastreamento, capaz de identificar alterações antes que elas evoluam para um tumor invasivo. “Poucos cânceres nos oferecem uma oportunidade tão concreta de atuar antes que a doença apareça. No câncer do colo do útero, vacinação e rastreamento são estratégias fundamentais. Por isso, é importante que a informação chegue não apenas às mulheres adultas, mas também às famílias que hoje têm filhos e adolescentes na faixa etária indicada para a vacinação contra o HPV”, afirma Dra. Rosane R. Johnsson.

O impacto da doença ainda é significativo. O dado oficial mais recente registra 7.493 mortes por câncer do colo do útero no Brasil em 2024.

Ovário: sintomas discretos exigem atenção à persistência

No câncer de ovário, a situação é diferente. Não existe atualmente uma estratégia de rastreamento populacional recomendada capaz de identificar precocemente a doença em mulheres sem sintomas e de risco habitual.

Além disso, as manifestações iniciais podem ser pouco específicas. Aumento do volume abdominal, sensação de estufamento, dor ou pressão na região pélvica, saciedade precoce e mudanças nos hábitos urinários ou intestinais podem ser confundidos com alterações gastrointestinais ou outras condições benignas.

Isso não significa que um episódio isolado seja motivo para suspeitar de câncer. O que importa é observar quando uma mudança passa a ser frequente, persiste ou se intensifica. “Um dos desafios do câncer de ovário é justamente não transformar sintomas comuns em motivo de alarme, mas também não ignorar aquilo que deixou de ser habitual. Uma mulher que passa a apresentar distensão abdominal frequente, desconforto pélvico ou saciedade precoce de maneira persistente deve procurar avaliação. É a história clínica como um todo que vai indicar a necessidade de investigação”, explica a oncologista.

O INCA estima 8.020 novos casos de câncer de ovário por ano no Brasil entre 2026 e 2028. O dado mais recente de mortalidade registra 4.567 óbitos pela doença em 2024.

Sangramento depois da menopausa não deve ser considerado normal

Outro tumor que integra esse grupo é o câncer do corpo do útero, sendo o endométrio, tecido que reveste internamente o órgão, o local onde se origina a maior parte desses tumores. Um de seus principais sinais é também bastante objetivo: sangramento vaginal após a menopausa precisa ser investigado. Em mulheres que ainda menstruam, alterações importantes no padrão de sangramento também devem ser avaliadas.

“Depois da menopausa, não existe um sangramento que deva simplesmente ser atribuído à idade. Isso não significa que toda mulher que sangra tenha câncer, existem diversas causas benignas, mas é um sintoma que precisa ser esclarecido. Essa diferença entre criar medo e estimular atenção é fundamental quando falamos em conscientização”, ressalta Dra. Rosane R. Johnsson.

Para 2026, o INCA estima 9.650 novos casos de câncer do corpo do útero no país. Em Curitiba, são esperados 100 novos casos neste ano, além de outros 100 diagnósticos de câncer de ovário.

Histórico familiar também pode mudar a avaliação

A história familiar é outro aspecto relevante, sobretudo para determinados casos de câncer de ovário e endométrio. Alterações genéticas hereditárias podem aumentar a predisposição a diferentes tumores.

Por isso, informações como câncer de ovário na família, diversos parentes acometidos por determinados tipos de câncer ou diagnósticos em idades pouco habituais devem ser relatadas ao médico. Isso não significa que a presença de câncer na família determine que outros integrantes terão a doença, mas pode indicar a necessidade de uma avaliação de risco mais individualizada. “Conhecer a história de saúde da família também faz parte do cuidado. Em algumas situações, o padrão dos diagnósticos pode indicar que vale aprofundar a investigação genética. Quando encontramos uma predisposição hereditária, essa informação pode ser relevante tanto para a paciente quanto para seus familiares”, explica Dra. Rosane.

Consulta ginecológica não substitui atenção aos sintomas

Um dos equívocos comuns é imaginar que estar com o exame preventivo do colo do útero em dia significa estar rastreada para todos os cânceres ginecológicos.

Não significa. O rastreamento do câncer do colo do útero tem uma finalidade específica. Ele não funciona como exame de rastreamento para câncer de ovário, endométrio, vulva ou vagina. Por isso, mesmo uma mulher que mantém acompanhamento ginecológico regular deve informar sintomas novos ou persistentes.

“Precisamos sair da ideia de que existe um exame único que exclui todos os cânceres ginecológicos. Cada tumor tem suas particularidades. Manter o acompanhamento médico é importante, mas conhecer o corpo e contar ao profissional quando algo mudou também é parte fundamental dessa relação”, reforça a oncologista do IOP.

Setembro coloca essas doenças em evidência, mas a mensagem não é procurar câncer em qualquer sintoma. É justamente o contrário: conhecer o que pode ser prevenido, manter os cuidados recomendados e não normalizar alterações persistentes.

“Informação não deve produzir medo, deve ajudar a mulher a tomar decisões sobre a própria saúde. Temos tumores para os quais existem estratégias muito efetivas de prevenção e outros em que reconhecer uma mudança no organismo pode ser determinante para iniciar uma investigação. O mais importante é não deixar um sintoma persistente sem resposta”, conclui Dra. Rosane R. Johnsson, médica oncologista clínica do IOP.

 

Fontes oficiais: dados da Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer, INCA e informações atualizadas sobre vacinação contra o HPV do Ministério da Saúde.

 


Fonte e foto: Assessoria de Imprensa.

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