O transplante capilar, considerado a principal alternativa para tratar a queda de cabelo, possui restrições, especialmente para aqueles que não dispõem de uma área doadora suficiente na nuca ou nas laterais da cabeça. Com o intuito de ampliar as possibilidades de tratamento, um grupo de pesquisadores do Instituto Biológico da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) desenvolveu uma técnica inovadora que permite a multiplicação de folículos capilares em ambiente laboratorial.
A nova técnica utiliza uma amostra pequena do paciente, variando entre 50 e 120 unidades, para gerar um número significativamente maior de folículos viáveis, prontos para o transplante. Essa inovação representa uma mudança significativa em relação ao método tradicional, que exige a retirada manual de folículos da área doadora, um processo que pode levar de oito a dez horas.
Com a nova abordagem, os cirurgiões receberão os folículos já expandidos e selecionados, reduzindo o tempo total da cirurgia para aproximadamente duas horas. Essa diminuição no tempo cirúrgico é importante, uma vez que o cansaço dos profissionais durante procedimentos longos pode impactar a taxa de sucesso das operações.
Além da eficiência no tempo, a técnica pode trazer benefícios para a recuperação pós-operatória. Os folículos que passam por uma seleção rigorosa antes do implante têm maior probabilidade de serem mais resistentes, o que pode resultar em menos inflamação e em um período de recuperação mais rápido.
Atualmente, a tecnologia se encontra em fase pré-clínica e visa não apenas atender pacientes com áreas doadoras insuficientes, mas também aqueles que sofrem de alopecia avançada ou que perderam cabelo devido a tratamentos de quimioterapia ou queimaduras. Wagner Fávaro, professor do IB e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto, destaca a importância dessa oportunidade para pacientes em tratamento contra o câncer, que podem encontrar alívio ao saber que poderão recuperar os fios no futuro.
A coleta de folículos pode ser realizada antes do início da quimioterapia, com armazenamento em nitrogênio líquido ou em freezers a -80°C. O protocolo de criopreservação que está em desenvolvimento permitirá a expansão dos folículos em laboratório, aumentando a quantidade disponível para transplante e, assim, beneficiando aqueles que não possuem áreas doadoras adequadas.