Encontro entre Delcy Rodríguez e Donald Trump gera protestos entre venezuelanos

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se encontraram durante a Assembleia Geral da ONU, em um encontro que marca a primeira reunião presencial desde a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana, ocorrida em janeiro. A reação ao encontro foi de forte oposição entre os venezuelanos, que o interpretaram como um apoio do governo dos EUA a um regime considerado ilegítimo. Muitos classificaram a reunião como um "tapa na cara" das esperanças por novas eleições no país.

Protestos e manifestações de descontentamento ocorreram em várias localidades, incluindo as ruas de Caracas, nas proximidades da sede das Nações Unidas em Nova York e na cidade de Doral, na Flórida, que é um importante reduto da diáspora venezuelana. A analista política Liz Rebecca Alarcón, que reside Em Doral, comentou que a reunião entre Rodríguez e Trump, assim como a presença de Rodríguez na Assembleia Geral, que aconteceu na última quarta-feira (23), serve para legitimar uma figura que, segundo ela, está "injustamente" na Venezuela. Alarcón expressou sua frustração afirmando que a cada dia que passa, a possibilidade de uma transição para eleições livres parece mais distante.

Adeys Ferro, diretora do Venezuelan American Caucus, também manifestou descontentamento em relação ao encontro, ressaltando que se trata de um "tapa na cara" da possibilidade de eleições democráticas e transparentes no país. Ferro destacou que Delcy Rodríguez, como ex-vice-presidente de Maduro, é parte do governo responsável por crises políticas e econômicas que levaram à emigração de milhões de venezuelanos.

Reinaldo Díaz Ohep, ex-diplomata venezuelano e ex-prefeito de El Hatillo, alertou que a reaproximação entre o chavismo e os Estados Unidos após a prisão de Maduro demonstra a capacidade do regime de se adaptar. Ele enfatizou que, apesar das aparências, o chavismo não se reformou ou se democratizou, mas se ajustou para sobreviver à administração de Trump. Díaz expressou preocupação de que essa visão pragmática possa prejudicar as perspectivas de uma aliança genuína entre uma Venezuela democrática e o povo americano.

Apesar do descontentamento entre muitos venezuelanos, a presença de Delcy Rodríguez na ONU e seu encontro com Trump sugerem que o apoio da Casa Branca a ela permanece firme, pelo menos por enquanto.

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