A campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) atribui a Jeferson de Oliveira Monteiro, criador do perfil conhecido como "Dilma Bolada", a responsabilidade pela primeira publicação que associou o presidenciável à informação falsa de que ele pretende retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
O perfil "Dilma Bolada" ganhou notoriedade durante o primeiro mandato da então presidente Dilma Rousseff (PT), sendo reconhecido por seu tom humorístico e por tentar humanizar a imagem da ex-mandatária, além de criticar seus opositores. Na época, a conta acumulava mais de um milhão de seguidores, um número considerável para o período.
Em outubro de 2014, Jeferson foi recebido por Dilma no Palácio da Alvorada, após sua reeleição. No ano seguinte, ele compareceu a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados, onde negou ter recebido qualquer compensação do PT. Em 2023, o influenciador assumiu um cargo comissionado na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mas foi demitido meses depois devido a uma viagem considerada indevida.
A análise realizada pela equipe de Flávio Bolsonaro indica que a postagem de Jeferson, feita às 21h50 de quarta-feira (23), foi o ponto de partida para uma série de conteúdos que começaram a vincular o candidato à suposta intenção de mudança nas redes sociais. A publicação de Jeferson, que ainda estava ativa na rede social X no último sábado (26), continha a seguinte mensagem: "Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil. Tudo com Jesus. Nada sem Maria. E Bolsonaro na cadeia!".
Nos dias seguintes, Jeferson continuou a publicar conteúdos críticos em relação a Flávio Bolsonaro, incluindo menções à Igreja Católica. Apenas seis minutos após a postagem inicial, outro usuário começou a compartilhar informações sobre o tema. O perfil @waglegal10 insinuou que Flávio poderia enfrentar pressão de uma parte de seus apoiadores para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
A Campanha de Flávio considera a conduta de Jeferson como crimes de divulgação de informações falsas em período eleitoral, além de incitação ao crime e associação criminosa. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em nota, afirmou que as alegações de Flávio não têm fundamento e expressou estranheza diante de um "pedido injusto e arbitrário" de prisão de um cidadão brasileiro.