Em 1986, Zilma Regina Ribeiro Andrade, aos 13 anos, iniciou seus estudos na 6ª série do Colégio Santa Catarina, localizado em Petrolina de Goiás. Quarenta anos após essa experiência, ela ocupa a posição de diretora da instituição, um cargo que assumiu em 2009 após concluir o Magistério em 1994. Sua trajetória reflete não apenas seu crescimento pessoal, mas também a importância da educação na transformação de vidas.
Ao relembrar sua escolha pela escola, Zilma destacou a decisão de sua mãe, que optou pelo Colégio Santa Catarina devido à qualidade do ensino oferecido, que contava com a presença de freiras e professores comprometidos com a disciplina e o respeito. Outro fator que facilitou essa escolha foi o subsídio que a escola recebia, permitindo que os pais pagassem uma mensalidade simbólica, que ao final do convênio era de apenas R$ 20.
A história de Zilma é emblemática, pois contrasta com a realidade de que filhos de pais com maior nível educacional geralmente têm mais oportunidades. Sua experiência demonstra que, além da determinação pessoal, existe um papel fundamental das instituições de ensino na construção de trajetórias de vida. A escola não foi apenas o início de sua jornada; Zilma retornou quatro vezes, assumindo diferentes papéis até chegar à direção, um feito que ela nunca imaginou alcançar.
Após concluir o 2º grau, Zilma optou pela formação em Magistério, a única disponível que não envolvia contabilidade. Essa escolha confirmou sua vocação, e logo após a formatura, foi contratada como professora no Colégio Santa Catarina, onde trabalhou de agosto a dezembro de 1995. No entanto, devido a questões pessoais, Zilma se afastou para trabalhar como costureira, uma atividade que herdou da família.
Em 2002, ela foi convocada de volta pelas freiras da escola, mas precisou se ausentar novamente, pois estava lecionando na rede municipal. A pesquisa realizada em 2019 e publicada na Revista Brasileira de Economia indica que a influência da escolaridade dos pais na trajetória educacional dos filhos diminuiu desde os anos 1990, embora a mobilidade social ainda seja limitada para aqueles filhos de pais com menor escolaridade.
Sob a direção de Zilma, o Colégio Santa Catarina passou por significativas transformações. Atualmente, dos cerca de 436 alunos, 382 recebem bolsa integral por meio do Cebas, enquanto oito têm bolsas parciais, concedidas mediante comprovação de renda. Outros 42 alunos têm bolsas de colaborador ou de liberalidade, e apenas quatro pagam a mensalidade cheia. Essa realidade mostra o compromisso da escola em oferecer acesso à educação de qualidade.