Os veículos de comunicação que estão sendo alvo da tentativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de bani-los da Casa Branca apresentaram, na noite de segunda-feira (28), um pedido a um juiz federal para que prorrogue a ordem que restabeleceu temporariamente o acesso dos meios de comunicação. Na petição, os advogados da CNN, da MS NOW e do POLITICO descreveram a proibição como um "ataque ilegal às liberdades mais fundamentais garantidas pela Primeira Emenda".
A nova solicitação argumenta que as ações do governo, que visam "retaliar" as organizações de notícias mesmo após uma ordem judicial que permitiu sua entrada, evidenciam a intenção de punir e intimidar o jornalismo que não é do agrado do presidente. O juiz distrital dos EUA, Tim Kelly, havia emitido anteriormente uma ordem de restrição temporária que determinava à Casa Branca a reativação das credenciais de imprensa dos jornalistas dos três veículos, que haviam sido desativadas no início do mês, impedindo o acesso dos profissionais às dependências da Casa Branca.
Na semana passada, Tim Kelly rejeitou as alegações da Casa Branca de que a decisão de Trump de banir os veículos se baseava em preocupações de segurança nacional. O juiz, que foi nomeado por Trump durante seu primeiro mandato, indicou que consideraria provas adicionais que pudessem justificar essa suposta razão. No entanto, os veículos argumentam que, enquanto o governo tenta sustentar em tribunal a justificativa de segurança nacional, Trump e outros representantes afirmam que a proibição visa punir a cobertura negativa recebida.
"O presidente Trump continua justificando a proibição com base no fato de que não gosta da cobertura dos autores da ação sobre ele e seu governo, sem sequer mencionar a segurança nacional", afirmaram as organizações. Eles também mencionaram uma coletiva de imprensa realizada no domingo pelo procurador-geral Todd Blanche, que declarou que o risco à segurança nacional seria resultado da "cobertura unilateral da mídia" por parte de certos veículos.
Quando Trump anunciou, em 18 de setembro, a decisão de banir os meios de comunicação, justificou a medida alegando que se tratava de uma resposta às "constantes 'reportagens' de FAKE NEWS!". Cartas da Casa Branca destacando essas reportagens deram aos veículos um prazo até as 17h de sexta-feira para contestar a nova política, antes que Trump tomasse uma decisão "final" sobre o banimento. O Departamento de Justiça argumentou que as cartas e o processo descrito nelas eram suficientes para superar preocupações relacionadas ao devido processo, um argumento que foi rejeitado por Kelly em sua decisão na semana passada, onde afirmou que o governo não conseguiu convencê-lo de que era uma circunstância "extraordinária".
O governo Trump tem até a próxima sexta-feira (2) para apresentar uma resposta à petição protocolada na segunda-feira, enquanto os veículos devem submeter uma manifestação escrita final até a próxima segunda-feira. Tim Kelly anunciou que marcará uma audiência e pretende decidir o caso "com rapidez".