O bloqueio do Estreito de Ormuz, realizado pelos Estados Unidos nesta segunda-feira (13), levanta preocupações entre analistas financeiros sobre seus impactos nos preços do petróleo e a oferta de combustíveis no Brasil. Essa região é uma das principais rotas marítimas para o comércio global de petróleo, e a interrupção do transporte pode limitar a oferta, pressionando os preços da commodity no mercado internacional.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destaca que a crescente tensão entre Estados Unidos e Irã passou de uma questão secundária para um fator que influencia diretamente a formação de preços globais. A executiva enfatiza que uma parte significativa do petróleo mundial trafega por essa área, tornando o mercado mais incerto em relação à oferta e resultando em juros mais elevados.
As expectativas para os preços do petróleo já estão sendo afetadas. Inicialmente, a referência Brent era projetada entre US$ 75 e US$ 85 ao longo de 2026, em um cenário de crescimento moderado e oferta equilibrada. Contudo, esse panorama agora é considerado inviável.
Especialistas afirmam que, embora não haja previsão de desabastecimento de combustíveis no Brasil, a alta dos preços do petróleo no mercado internacional já está influenciando a inflação. Essa situação pode se agravar se o conflito se prolongar. Felipe Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, comenta que, apesar de não se esperar desabastecimento, a expectativa de um petróleo mais caro por um período prolongado aumenta conforme os preços atuais.
Desde o início dos bombardeios em 28 de fevereiro, o preço do barril de petróleo teve um aumento significativo, refletindo-se nos valores praticados no Brasil. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelam que o preço do diesel ao consumidor subiu R$ 0,05 na primeira semana de março, alcançando R$ 6,08. Em 14 de março, esse valor subiu para R$ 6,80.
Na última sexta-feira, a ANP informou que os preços médios do diesel na bomba caíram pela primeira vez desde o início do conflito, com uma redução de 0,2%, para R$ 7,43. A gasolina teve uma queda mais modesta de R$ 0,01, resultando em um preço de R$ 6,77.