Em uma reviravolta inesperada, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a participação do candidato à Presidência, Renan Santos, em um debate da TV Globo, apenas duas horas antes do início do evento. A autorização ocorreu após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, e a ministra Cármen Lúcia terem negado o pedido de participação do candidato, que representa o partido Missão.
O pedido que levou à decisão de Gilmar Mendes foi protocolado pelo partido Solidariedade, que não é a legenda de Renan. Este pedido foi apresentado em um processo que já tramitava no STF, sob a relatoria de Mendes. Anteriormente, o decano da Corte havia anulado uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, que determinava a remoção de uma manifestação política sobre a inelegibilidade de Deltan Dallagnol.
Os advogados do Solidariedade sustentaram que o caso de Renan Santos também envolvia questões relacionadas à intervenção estatal nas eleições e aos princípios da liberdade de expressão, pluralismo político e direito à informação. O partido desejava que a decisão sobre Dallagnol fosse aplicada ao caso de Renan. No entanto, Gilmar Mendes considerou que as situações eram distintas e não cabia simplesmente estender a decisão anterior para o novo caso.
Diante da proximidade do debate, que começaria em breve, o ministro argumentou que o juiz tem a prerrogativa de tomar medidas de urgência para evitar a perda de direitos. Assim, mesmo sem a possibilidade de extensão do caso anterior, Mendes decidiu conceder a autorização para que Renan participasse do debate.
Após a autorização do ministro, a TV Globo optou por cancelar o debate. A emissora alegou que a decisão judicial representava uma interferência indevida na liberdade de imprensa. Além da determinação de Gilmar Mendes, a Globo também se referiu a uma decisão da ministra Estella Aranha, do TSE, que havia atendido a um pedido da coligação do atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, para impedir perguntas ao petista durante o debate.
O terceiro pedido feito pelo Solidariedade foi fundamentado em que a própria Globo havia estabelecido em seu regulamento que, caso algum candidato desistisse do debate, poderia convidar o candidato que estivesse melhor posicionado na mais recente pesquisa da Quaest. Renan Santos, com 3% das intenções de voto, era o melhor posicionado entre os não convidados, enquanto Romeu Zema, do partido Novo, havia sido convidado, apesar de ter apenas 1% das intenções.