A CPI do Crime Organizado chegou ao fim nesta terça-feira (14), sem ter conseguido analisar integralmente as declarações de Imposto de Renda do Banco Master, que foram recebidas da Receita Federal. Entre os anos de 2022 e 2025, o banco transferiu R$ 7,3 bilhões a 2.939 pessoas físicas e jurídicas.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que atua como relator da CPI, instaurada em novembro do ano anterior com o objetivo de investigar a atuação de organizações criminosas, considerou as movimentações financeiras do banco em seu parecer. O relatório final será apresentado e votado no último dia de atividades da comissão.
No documento, Vieira solicitará que órgãos de fiscalização, como a Polícia Federal, aprofundem as investigações relacionadas às transações do Banco Master. O senador afirmou que todas as informações acessadas e analisadas até o momento serão incluídas no relatório, além de dados que requerem uma investigação mais detalhada.
As declarações de Imposto de Renda do Banco Master revelam diversos pagamentos a empresas e pessoas físicas. O total de R$ 7,3 bilhões foi dividido em R$ 6,7 bilhões destinados a empresas e R$ 584 milhões a pessoas físicas. Os rendimentos de aplicações financeiras no banco totalizaram R$ 3,3 bilhões, enquanto os salários e Participação nos Lucros dos funcionários somaram R$ 491 milhões.
A CPI possui a autoridade para determinar a quebra de sigilo bancário, fiscal e de dados telefônicos. O relator destaca que, embora o papel do parlamento seja legislar, a Constituição confere às comissões parlamentares de inquérito o poder de investigar fatos específicos dentro de um período determinado.
O parecer final da CPI poderá ser aprovado ou rejeitado pelos parlamentares nesta terça-feira. Os dados coletados poderão fundamentar pedidos de indiciamento de investigados por crimes. Após o encerramento dos trabalhos, uma cópia do relatório será encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e à Controladoria-Geral da União.