A ausência do pai: como filhas criadas por mães solo vivem essa realidade

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A configuração das famílias no Brasil mudou significativamente nas últimas décadas. Segundo o Dieese, até o terceiro trimestre de 2022, mais de 11 milhões de famílias eram chefiadas por mães solo, o que representa 61,7% dos lares chefiados por mulheres negras e 38,3% por mulheres não negras.

A ausência paterna pode gerar sentimentos de rejeição, insegurança e questionamentos identitários. No entanto, a pesquisa também revela que essa ausência pode ser uma oportunidade para construir sentidos próprios.

O estudo foi realizado com seis mulheres jovens, entre 21 e 29 anos, criadas por mães solo na cidade do Rio de Janeiro e com pouco ou nenhum contato com seus pais. As narrativas mostram que a ausência do pai raramente é vivida apenas como distância física. Ela ganha o significado de abandono, especialmente quando associada à sensação de não ter sido escolhida ou desejada.

A pesquisa aponta que a ausência física é o momento inaugural e o abandono é o seu efeito subjetivo. Cada trajetória apresenta nuances próprias. Em parte das histórias, as pessoas constroem sentidos próprios para suas histórias.

A ausência paterna pode gerar sentimentos de rejeição, insegurança e questionamentos identitários, mas também pode abrir caminhos de elaboração psíquica e transformação. Ouvir essas experiências ajuda a ampliar o debate público sobre parentalidade, cuidado e responsabilidade afetiva.

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