Disputa pela Presidência e 1ª Secretaria na próxima legislatura já envolve o grupo de Moro, o atual líder de Ratinho Jr., Hussein Bakri, membros da atual Mesa e dissidentes do PSD
A eleição de Sérgio Moro para o Governo do Paraná abriu uma nova disputa de poder na Assembleia Legislativa em 2027. Pelo menos quatro grupos já se movimentam pela Presidência e pela 1ª Secretaria da Alep, em uma articulação que deverá definir também a relação entre o Legislativo e o novo governo.
O principal ingrediente novo é o racha dentro do PSD, que terá 14 deputados na próxima legislatura.
De um lado, estão os setores que pretendem preservar a atual estrutura política e disputar espaço na nova Mesa. De outro, uma ala de deputados do PSD começa a defender uma composição com o governador eleito Sérgio Moro.
Quatro grupos no tabuleiro
1. O grupo ligado a Sérgio Moro
A nova base política formada em torno do governador eleito chega à Assembleia com 20 deputados de PL, Novo e Podemos. Para alcançar a maioria absoluta de 28 votos, Moro precisará construir uma composição com outras bancadas.
2. O grupo de Hussein Bakri
Atual líder do Governo Ratinho Junior, Bakri lançou sua pré-candidatura à Presidência da Alep. Sua movimentação representa uma candidatura própria dentro da disputa e mantém em campo um setor ligado à atual base governista.
3. O grupo ligado à atual Mesa
A atual estrutura da Assembleia também articula sua permanência no centro do poder. O grupo tem como uma de suas principais referências a deputada Maria Victoria (PP), atual 2ª secretária da Casa, que participa das articulações para a próxima Mesa.
4. A dissidência do PSD que busca composição com Moro
É aqui que está uma das principais novidades.
O PSD, que terá 14 deputados, não chega à nova legislatura como um bloco necessariamente unificado. Uma ala pretende manter a influência construída durante o atual governo, enquanto outra avalia uma aproximação com o governador eleito.
Essa divisão pode ser decisiva para a formação da maioria que escolherá a próxima Mesa.
A eleição da Mesa já começou nos bastidores
Embora a votação da nova Mesa aconteça somente com a posse da próxima legislatura, as articulações já começaram.
Os grupos que pretendem disputar o comando da Assembleia já estão procurando os deputados eleitos em 4 de outubro. As conversas envolvem não apenas os parlamentares que já possuem mandato, mas principalmente os 23 novos deputados que chegarão à Casa em 2027.
A estratégia é clara: construir alianças antecipadamente, apresentar projetos de composição e garantir apoio para a Presidência, a 1ª Secretaria e os demais cargos da Mesa.
Com isso, a disputa deixa de ser apenas uma sucessão da atual direção da Assembleia e passa a envolver diretamente a formação da nova maioria parlamentar.
Os demais partidos terão a palavra
Apesar da concentração das atenções em torno do PSD e dos principais grupos que disputam a Mesa, a eleição não será decidida apenas por essas quatro forças.
A nova Assembleia será formada por diferentes bancadas, e os demais partidos terão papel decisivo na construção dos 28 votos necessários para formar maioria.
PP, PT, União Brasil, Republicanos, Novo, Podemos, MDB, PDT e outras legendas poderão ser procurados pelos diferentes grupos em busca de uma composição que envolva Presidência, 1ª Secretaria e os demais cargos da Mesa.
Isso transforma a eleição em uma negociação mais ampla.
Cada voto passa a ter peso na montagem da maioria.
A disputa é pela Mesa — e pela governabilidade
Mais do que a Presidência, o grande jogo envolve a composição completa da Mesa Diretora, especialmente a 1ª Secretaria.
A nova Assembleia terá 23 deputados estreantes e 31 reeleitos, uma renovação de 42,59%. A mudança altera a correlação interna de forças e abre espaço para novas alianças.
Nesse cenário, nenhum grupo possui, isoladamente, os 28 votos necessários para formar maioria.
A eleição da Mesa, portanto, será também uma negociação sobre a governabilidade do Paraná.
O governador eleito terá de construir pontes, enquanto os diferentes grupos da Assembleia tentarão garantir espaço no comando da Casa.
E o PSD, dividido entre a continuidade da atual estrutura e uma possível composição com Moro, pode ser uma das peças centrais dessa negociação.
Mas serão os demais partidos e deputados da nova Assembleia que poderão definir a equação final.
A eleição acabou. As articulações, não.
Os novos deputados já estão sendo procurados, os grupos já estão negociando e a disputa pelo comando da Alep já começou — antes mesmo da posse da nova legislatura.