O preço da soja brasileira enfrenta uma sequência de quedas, atingindo 1,53% nesta terça-feira (06), com a saca cotada a R$155,67, conforme dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Essa queda se opõe ao comportamento observado na Bolsa de Chicago, onde o grão teve um aumento de 1,7% no mesmo dia, impulsionado pela lentidão na colheita da soja nos Estados Unidos, conforme relatado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).
Desde o início de outubro, a soja acumulou uma desvalorização de 3,65% no Porto Paranaguá (PR), que é a referência para os preços nacionais. No final de setembro, a oleaginosa estava cotada a R$161,56, perdendo cerca de R$6 em menos de uma semana. O cenário de desvalorização foi intensificado pela queda do dólar e pelo ritmo dos negócios no mercado interno.
Yedda Monteiro, analista de mercado da Biond Agro, destaca que a formação do preço da soja no Brasil é influenciada por três fatores principais: a Bolsa de Chicago, os prêmios de exportação e a taxa de câmbio. A recente queda do dólar, que ocorreu após o primeiro turno das eleições, afetou a conversão do preço internacional da soja para reais, levando a uma perda significativa de força nos preços locais. "A soja é uma commodity que é precificada internacionalmente e em dólar", afirma a analista.
A força do mercado internacional não foi suficiente para compensar a queda acentuada do dólar. A desvalorização do real, que chegou a 4% em uma sessão, gerou pressão adicional sobre os preços da soja no Brasil. Mesmo que a Bolsa de Chicago sugerisse uma estabilidade ou até uma leve alta, a realidade do produtor é que a venda ocorre em reais, o que torna a situação ainda mais desafiadora.
Os prêmios de exportação no Brasil se mantiveram estáveis, oferecendo algum suporte ao mercado. Contudo, essa valorização é parcialmente impulsionada pela necessidade de atender a ofertas competitivas, uma vez que o mercado internacional permanece relativamente estável.
Apesar do impacto negativo na receita da safra atual, um câmbio mais baixo pode oferecer um alívio temporário para o planejamento da safra 2026/27, pois reduz os custos de insumos dolarizados, como fertilizantes e defensivos agrícolas. Yedda Monteiro recomenda que, se os produtores ainda precisam garantir suas compras, esta é uma boa oportunidade devido à queda do dólar.