O presidente do Instituto de Ovos Brasil, Edival Veras, analisou o cenário atual do setor, destacando que, apesar das dificuldades enfrentadas, a tendência de longo prazo se mantém positiva. Desde a fundação do instituto, há 17 anos, o consumo per capita de ovos aumentou de aproximadamente 120 para mais de 300 unidades ao ano. Contudo, a previsão para 2026 indica uma desaceleração nesse crescimento, com uma expectativa de produção 5% superior ao ano anterior, enquanto o consumo deve se estabilizar em torno de 300 ovos por pessoa.
Edival observou que a produção e o consumo avançaram juntos a uma taxa média de 10% ao ano, mas atualmente o consumo parece estar estagnado. Ele ressaltou que, quando a produção supera a demanda, os produtores tendem a reduzir a quantidade produzida para equilibrar o mercado, que se ajusta ao longo do ano em função dos períodos de maior e menor consumo. "A produção precisa ter muita responsabilidade para atender sem muita sobra, sem muita falta", declarou.
Atualmente, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção de ovos, com uma produção anual de cerca de 56 bilhões de unidades. O país também é o sexto maior consumidor global, uma mudança significativa em relação a 17 anos atrás, quando não figurava entre os 30 maiores consumidores. Os principais estados produtores incluem São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Pernambuco, enquanto outros estados mantêm um crescimento linear relacionado ao aumento do consumo.
Entre os fatores que sustentam a demanda por ovos, Edival destaca a popularização do conceito de proteína, que favorece as fontes proteicas, e o uso de canetas emagrecedoras, que levam os consumidores a buscar uma dieta mais rica em proteínas. Além disso, a praticidade, versatilidade e acessibilidade do ovo, amplamente disponível em diversos canais de comércio, contribuem para o aumento do consumo.
As exportações de ovos ainda representam uma fração pequena da produção total, com o Brasil exportando cerca de 0,5% do que produz. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal indicam que, entre janeiro e setembro, as exportações somaram 22,669 mil toneladas, um volume que representa uma queda de 34,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita gerada pelas exportações foi de US$ 49,769 milhões, com uma retração de 38,4% em relação aos US$ 80,832 milhões do ano anterior.
O setor avícola emprega entre 600 mil e 700 mil pessoas, conforme informações do instituto. Edival apontou a escassez de mão de obra como um dos principais desafios enfrentados, já que as granjas estão localizadas em áreas rurais e há uma tendência de migração para as cidades. Em resposta a essa situação, o setor tem adotado a automação e a tecnologia, enquanto os trabalhadores que permanecem nas granjas estão se tornando mais qualificados.