A análise foi realizada pelo setor de combate à desinformação do TSE, a pedido do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, em meio a decisões conflitantes relacionadas ao canal. Os técnicos examinaram textos e vídeos veiculados durante o período de 2 a 11 de outubro de 2026.
Durante a investigação, a equipe técnica constatou que, nesse intervalo, não houve repetição das afirmações que estavam sendo analisadas em um processo em andamento. O relatório afirma: "Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos".
As ressalvas do relatório também enfatizam a forma como o conteúdo foi divulgado. Os técnicos notaram uma "atuação coordenada" para a disseminação das mensagens e registraram uma tendência ao uso de uma linguagem polarizadora. O documento menciona que tal abordagem pode estabelecer uma lógica de confronto, o que é prejudicial ao clima eleitoral, que deveria ser de debate e não de conflito.
A discussão sobre a legalidade do canal já estava em pauta no TSE. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) havia ajuizado uma ação visando cassar o mandato de Janones e solicitar a suspensão do canal. No dia 10, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso, pediu informações complementares à campanha de Flávio, mas não tomou a decisão de suspender o canal.
Na sequência, Kassio Nunes Marques acatou o pedido e determinou a suspensão do canal, mas no dia seguinte, Cueva, atuando como corregedor-geral eleitoral, revogou essa decisão e reativou o canal. Ao autorizar a volta do canal, Cueva registrou que o pedido da campanha de Flávio para anular sua decisão foi protocolado na presidência do TSE em apenas 41 minutos.