A oposição e a direita no Senado alteraram sua postura em relação à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A decisão de apoiar a proposta, apurada pelo diretor de Jornalismo, representa uma mudança significativa nas articulações dos blocos, que até então buscavam obstruir a votação.
A votação, que estava prevista para ocorrer na quarta-feira (14), deve ser realizada na quinta-feira (15). A confirmação da pauta foi feita pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se comprometeu a levar a proposta ao plenário.
Anteriormente, a estratégia da direita era obstruir a votação, com a intenção de atrasar a análise da PEC até após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Caso não fosse possível obstruir, o plano consistia em aprovar emendas que modificassem o texto, devolvendo-o à Câmara dos Deputados e evitando sua promulgação antes do dia 25 deste mês.
Essa obstrução tinha como objetivo evitar que uma eventual aprovação da proposta beneficiasse politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes do primeiro turno. No entanto, a avaliação de interlocutores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mudou, indicando que votar contra a PEC poderia ser mais prejudicial nas eleições.
Rittner destacou um temor entre os políticos de que, mesmo apresentando as divergências sobre a proposta e defendendo a jornada de trabalho flexível, seria complicado comunicar isso ao eleitorado. O receio é que as repercussões nas redes sociais colocassem a campanha de Flávio Bolsonaro em uma posição desfavorável em relação aos trabalhadores.
Adicionalmente, a decisão de Davi Alcolumbre de pautar o projeto pode ser vista como uma estratégia para garantir sua permanência na presidência do Senado no próximo ano. Essa mudança de direção na votação da PEC representa, portanto, uma nova dinâmica no cenário político atual.