Pesquisadores da Universidade de Estocolmo identificaram uma espécie bovina extinta até então desconhecida a partir de fragmentos de ossos encontrados na caverna Denisova, nas montanhas de Altai na Sibéria. A análise dos restos mortais não encontrou correspondência com nenhuma outra espécie, viva ou extinta. O animal recebeu o nome de "Yak X".
Segundo o pesquisador Alexandre Gilardet, a equipe não participou diretamente da exploração da caverna, mas teve acesso a centenas de fragmentos encontrados nesse e em outros três sítios arqueológicos próximos. O material continha DNA de 20 indivíduos da espécie inédita, com idades entre 250 mil e 27 mil anos.
Os paleontólogos afirmam que se trata de um parente do iaque moderno, herbívoro de pelo longo natural da Ásia, domesticado pelos humanos para montaria, leite e couro. O bovino desconhecido teria sido contemporâneo ao mamute-lanoso, ao bisão-da-estepe e ao auroque, o ancestral selvagem extinto do gado doméstico atual.
A pesquisa foi publicada no Current Biology. O geneticista Love Dalén, autor da publicação, destacou que não é comum reconhecer uma espécie de mamífero de grande porte por fragmentos pequenos e não identificáveis. Ainda não é possível dizer com certeza se os humanos conviveram com a nova espécie, mas Dalén sugere que os denisovanos poderiam tê-lo visto como animal de caça.
Em 2008, um fragmento de dedo descoberto na caverna Denisova deu início à pesquisa dos denisovanos, grupo de hominídeos precursor do Homo sapiens e parente dos Neandertais. Para oficializar a descoberta, serão necessárias evidências além do código genético.