Eficiência em operação comercial vai além do preço do aluguel

Foto: Nicholas Pablo.

Localização, infraestrutura e documentação podem evitar gastos extras, enquanto aluguéis comerciais sobem 12,33% em Curitiba de janeiro a agosto de 2026

 

 

Escolher um imóvel comercial pelo menor aluguel nem sempre é a decisão mais econômica. Para uma loja, um restaurante ou uma empresa de serviços, um endereço barato pode exigir reformas, atrasar a abertura ou dificultar o acesso do público. Já um imóvel mais caro, mas adequado à operação, pode reduzir despesas imprevistas e ajudar a preservar a margem de lucro. A diferença está nos custos que não aparecem no anúncio e no impacto do espaço sobre o funcionamento do negócio.

Para Sergio Zimmermann, diretor-executivo da Estruturar Imóveis Comerciais, que atua há 18 anos em gestão e intermediação, o valor do aluguel deve ser analisado em relação ao resultado que o imóvel pode proporcionar. “Fluxo de pessoas e veículos, visibilidade, facilidade de acesso, estacionamento e infraestrutura compatível com a atividade estão entre os fatores que influenciam a escolha. Quando o imóvel não atende a essas necessidades, a economia inicial pode desaparecer em obras, adaptações e despesas acumuladas antes da abertura”, afirma.

Na experiência da Estruturar, imóveis com localização estratégica, documentação regular e infraestrutura adequada podem alcançar aluguéis até 30% superiores aos de propriedades comparáveis na mesma região. Ainda assim, são justamente esses ativos que tendem a atrair mais interessados e a permanecer menos tempo desocupados, o que revela um paradoxo do mercado: pagar mais pode ser a decisão financeiramente mais eficiente.

Zimmermann destaca que um aluguel mais alto é uma decisão de negócio e “só se justifica financeiramente quando as condições do imóvel contribuem para o desempenho da operação ou reduzem despesas relevantes”. Uma simulação ajuda a dimensionar essa relação. Supondo que uma empresa pague R$ 6 mil a mais por mês por um imóvel e que a escolha permita gerar R$ 60 mil adicionais em vendas mensais. Com margem de 15%, o resultado incremental seria de R$ 9 mil. Descontado o aluguel adicional, sobrariam R$ 3 mil por mês, ou R$ 36 mil em um ano, antes de outros custos e efeitos tributários.
Mercado imobiliário na capital – Em Curitiba, os preços anunciados de aluguel de salas e conjuntos comerciais de até 200 metros quadrados subiram 33,6% na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e 31,3% no Boqueirão entre março de 2025 e março de 2026, segundo o Índice FipeZAP Comercial. No mesmo período, a alta foi de 15,2% no Batel, 12,8% no Centro Cívico e 12% no Centro. O Rebouças, por sua vez, registrou queda de 13,3%.

Mercado imobiliário na capital – Em Curitiba, os preços anunciados de locação de salas e conjuntos comerciais de até 200 metros quadrados subiram 12,33% entre janeiro e agosto de 2026, segundo o Índice FipeZAP Comercial, elaborado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX. O avanço superou a média ponderada de 8,50% das dez cidades monitoradas e a inflação medida pelo IPCA, de 3,11%, no mesmo período. Em agosto, o preço médio anunciado na capital foi de R$ 46,34 por metro quadrado, com alta de 0,22% no mês e de 11,36% nos 12 meses encerrados em agosto. (Fonte: Índice FipeZAP de Venda e Locação Comercial, informe de agosto de 2026, pp. 3, 5, 7 e 13; IPCA/IBGE, conforme reproduzido no informe.)

A diferença entre bairros também é expressiva. Nos 12 meses encerrados em agosto, o Bigorrilho registrou a maior valorização entre os bairros pesquisados, com aumento de 36,6%, seguido pelo Boqueirão (17,7%), Centro Cívico (12,7%) e Batel (12,5%). No mesmo período, os aluguéis subiram 11,3% no Centro e 9% no Rebouças, enquanto a Cidade Industrial de Curitiba (CIC) apresentou alta de 3,7%. O preço médio anunciado na capital chegou a R$ 46,34 por metro quadrado em agosto. (Fonte: Índice FipeZAP Comercial, agosto de 2026)

Os custos que pesam na decisão não se limitam ao aluguel. Para a Estruturar, três medidas ajudam a reduzir o risco de uma escolha que comprometa o caixa: definir as necessidades da operação antes de procurar o endereço para estabelecer previamente o público consumidor, fluxo, acesso, estacionamento, logística e possibilidade de expansão; comparar o custo total de ocupação para projetar despesas de entrada, operação e saída, incluindo obras, licenças, condomínio, IPTU, garantias, meses sem faturamento e devolução do imóvel; e realizar as análises técnica e jurídica antes de assinar o contrato como verificar matrícula, habite-se, zoneamento, condições para obtenção das licenças e adequação da infraestrutura.

“A decisão não deve partir apenas do valor anunciado. Para o locatário, a questão é avaliar quanto custará ocupar o imóvel e se ele oferece condições para a operação funcionar sem comprometer o caixa. A escolha precisa considerar o conjunto de despesas e benefícios, porque o aluguel mais baixo na entrada nem sempre resulta no menor custo ao longo do contrato”, finaliza Zimmermann.

Nota metodológica – O Índice FipeZAP Comercial acompanha preços anunciados de salas e conjuntos comerciais de até 200 m² em dez cidades brasileiras. Os dados de locação de Curitiba em agosto de 2026 tiveram como base 1.421 anúncios. O indicador não mede os valores finais de contratos fechados nem a correção dos aluguéis vigentes. Fonte: Fipe/Grupo OLX, Índice FipeZAP de Venda e Locação Comercial, informe de agosto de 2026, pp. 2, 3 e 21.

Fonte: Assessoria de Imprensa. / Foto: Nicholas Pablo.

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