Projeto comunitário revitaliza o Parque dos Lagos, em Colombo (PR)

Foto: Divulgação/Projeto Arvoredo.

Oficinas executadas pelo Projeto Arvoredo por meio do Ministério das Cidades, UFPR, LAGEAMB/UFPR e Prefeitura de Colombo aliam agroecologia e mobilização comunitária, em área com histórico de ocupação e espera por regularização fundiária

 

 

A urgência da adaptação às mudanças climáticas e a importância da recuperação ambiental em áreas de vulnerabilidade social ganham contornos práticos no município de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Por meio do Plano Comunitário de Redução de Riscos e Adaptação Climática (PCRA), desenvolvido pelo Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais da Universidade Federal do Paraná (LAGEAMB/UFPR), a comunidade do Parque dos Lagos vem transformando, com auxílio do Projeto Arvoredo, espaços antes degradados em áreas de preservação, convivência e segurança alimentar.

Entre as ações do PCRA, neste fim de semana, dias 31 de outubro e 1º de novembro, a programação marca uma nova etapa decisiva de manejo e contenção de riscos na comunidade com oficinas executadas pelo Projeto Arvoredo. De acordo com os organizadores, no Parque dos Lagos, dezenas de famílias aguardam há mais de três décadas pelo processo de regularização fundiária, sendo assim, o projeto fortalece o sentimento de pertencimento e promove a harmonia entre o habitar e o meio ambiente local.

No sábado, 31, os moradores realizarão um mutirão de limpeza no canal extravasor da Bacia de Contenção para a remoção completa dos resíduos, que atualmente obstruem o curso d’água. Completando a programação, no dia seguinte, domingo, sob orientação do mentor em Paisagismo e Agricultura, Ademar da Silva Brasileiro, conhecido como Mago Jardineiro, cerca de 40 moradores se reunirão para uma “Implantação de Paisagismo Funcional”, considerando o formato de arquibancada ou terraços, focada na estabilização do solo e na recuperação da vegetação ciliar.

“Aqui será aplicada a sintropia, começando do mais simples e indo gradativamente para o mais completo”, diz o Mago. Segundo ele, serão plantadas  65 arvoretas e arbustos nativos em duas linhas, com forração de grama-amendoim para contenção da erosão e fixação do solo e semeadura de sementes de girassol, linhaça e feijão.

Para o mentor, a integração do saber acadêmico com o engajamento comunitário no Parque dos Lagos demonstra como a justiça climática e o manejo sustentável do solo podem transformar a realidade das ocupações urbanas, garantindo um futuro mais seguro e sustentável para seus habitantes. “Todas as pessoas podem modificar seu ambiente e sua qualidade de vida para melhor, contando com as plantas de todos os tipos, inclusive comestíveis e nativas. O lema é pensar globalmente e plantar loucamente”, brinca o Mago.

A primeira grande ação comunitária, segundo a coordenadora executiva do Projeto Arvoredo, Laura Schuhli, aconteceu em 17 de outubro e focou no combate ao acúmulo e queimada de resíduos — problemas intensificados pela fragilidade da coleta seletiva na região. Um antigo vazio urbano degradado deu lugar a um Pomar Sintrópico. A ação mobilizou cerca de 30 moradores e resultou no plantio de: 80 espécies nativas e 24 árvores frutíferas; 3 kg de sementes (feijão, linhaça e girassol); e 75 mudas de espécies herbáceas e aromáticas (alecrim, orégano e manjericão).

Mapeamento participativo e oficinas sociotécnicas

O ponto de partida da iniciativa no Parque dos Lagos envolveu a elaboração do plano comunitário por meio de assembleias e oficinas sociotécnicas para o mapeamento participativo de riscos climáticos. Após essa parte, começou a realização com o Projeto Arvoredo e o apoio do mentor Mago Jardineiro.

“Precisamos entender que áreas de ocupação urbana necessitam urgentemente de infraestrutura básica, e as Soluções Baseadas na Natureza são aliadas indispensáveis nesse processo, especialmente as que trabalham com saneamento básico, riscos hidrológicos e ilhas de calor. Elas viabilizam intervenções de rápido impacto e baixo custo que, além de trazerem benefícios ambientais diretos, promovem a mobilização e o protagonismo popular”, destaca a coordenadora executiva do Projeto Arvoredo.

A relevância de ações ambientais em territórios de ocupação urbana, explica Laura, vai muito além do plantio de árvores: elas atuam diretamente na mitigação de desastres naturais — como enchentes e deslizamentos —, na eliminação de focos irregulares de lixo e na melhoria da saúde pública. Em áreas urbanas consolidadas, mas marginalizadas do ponto de vista de infraestrutura, a infraestrutura verde fortalece a resiliência das comunidades frente aos eventos climáticos extremos.

Serviço:
Mutirão de limpeza e infraestrutura verde
Local: Parque dos Lagos https://maps.app.goo.gl/3BSx7SDbqFhYGYEu7
Referência: ao final da rua Joao D’agostin
Dias e horários: 31 de outubro, das 9 às 16h e 1º de novembro, das 9h às 12h.
Produção: Projeto Arvoredo
Realização: LAGEAMB (UFPR), via Ministério das Cidades e Prefeitura de Colombo.
Instrutor da oficina: Mago Jardineiro

Fonte: Assessoria de Imprensa. / Foto: Divulgação/Projeto Arvoredo.

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