Biblioteca da USP segue fechada e usa estrutura provisória após alagamentos

A biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, na Cidade Universitária, zona oeste da capital paulista, permanece fechada ao público cinco meses depois de as fortes chuvas de maio provocarem o desabamento do teto. O local tem um acervo de mais de 250 mil itens, incluindo 60 mil obras raras, e registrou dois alagamentos desde então.

O primeiro alagamento ocorreu em 11 de maio deste ano, durante as obras de substituição do telhado que eram esperadas desde 2024. Com a chuva e a manutenção em curso, o teto desabou e funcionários correram para salvar os livros, intercalando papel toalha entre as páginas para retirar a umidade. Em 12 de setembro, quase quatro meses depois, um segundo alagamento atingiu principalmente o 2º andar, para onde parte do acervo havia sido transferida como medida preventiva.

Segundo uma funcionária que preferiu não se identificar, o plano de retirada do acervo foi executado pelos próprios servidores em 10 dias, com a contratação de carregadores pagos pela Faculdade de Educação. Ela relatou que somente em setembro a biblioteca registrou ao menos três episódios de alagamento. Antes do dia 12, uma reunião com a Superintendência do Espaço Físico (SEF) para demonstrar preocupação com as chuvas resultou na orientação de esperar por uma obra de reparo mais eficiente, que seria apresentada após três orçamentos.

A contratação emergencial para instalar uma nova cobertura provisória ocorreu em 19 de setembro. A administração do local classifica a medida como uma "solução temporária". A direção da biblioteca vê um "avanço importante nas últimas semanas", após a reitoria da USP reconhecer o caráter emergencial da situação e adotar medidas junto à SEF para viabilizar a obra definitiva, mas ainda não há data ou previsão para o início dos trabalhos e a reabertura.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e representante da Faculdade de Educação, Reinaldo Santos, afirma que a mobilização da comunidade foi determinante. Um ato realizado em 28 de setembro, segundo ele, levou a uma reunião com a vice-reitoria e ao estabelecimento de compromissos. A organização entregou 2.500 assinaturas para exigir licitação emergencial. Hoje, os atendimentos são feitos on-line e os funcionários trabalham na proteção, conservação e reorganização das coleções, incluindo os 4 mil itens afetados pela água em maio. O acervo permanece preservado, conforme a direção.

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