Com a aplicação de tecnologia inovadora, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está otimizando o processo de enchimento e operação do Reservatório do Miringuava, localizado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O monitoramento da acumulação de água é realizado continuamente, utilizando modelos digitais que foram elaborados antes do fechamento da comporta, ocorrido em janeiro. O enchimento total da represa está condicionado às chuvas na bacia do Rio Miringuava.
Durante a fase final da supressão vegetal na área que será alagada, a equipe técnica da Sanepar capturou milhares de imagens utilizando um drone a 120 metros de altura, além de antenas GNSS (Global Navigation Satellite System) para georreferenciar as fotos. Com o auxílio de softwares avançados de geoprocessamento, foram gerados modelos tridimensionais do fundo do reservatório.
Wilson Bley, diretor-presidente da Sanepar, ressaltou que essas iniciativas visam proporcionar um suporte técnico rigoroso na tomada de decisões ao longo do enchimento do lago e na futura operação, assegurando a eficiência do sistema de abastecimento. Bley afirmou que a empresa está criando uma base de dados digital e científica para operar o Miringuava de forma eficaz nas próximas décadas.
Mauricio Bergamini Scheer, engenheiro da Sanepar, explicou que o novo levantamento, ao contrário dos mapas tradicionais com curvas de nível a cada 5 metros, gerou um modelo digital do terreno com resolução de 20 centímetros. Isso possibilita visualizar detalhes do terreno, permitindo simulações digitais sobre como a água ocupará cada parte do vale.
A Sanepar também está investindo na construção de uma rede de estações hidrometeorológicas, para monitorar as condições climáticas. Fórmulas matemáticas, desenvolvidas a partir dos dados do barco com sensores acústicos, estão facilitando o controle do volume de água que entra e sai da barragem, o que simplifica futuras inspeções e a gestão do manancial.
Para preservar a biodiversidade local e compensar a área alagada, a Sanepar planejou um corredor de biodiversidade de 700 hectares, que é 62,6% maior do que a área utilizada para a reservação de água. Equipes especializadas estão realizando o resgate e remanejamento de animais e o manejo da vegetação, o que inclui a coleta de sementes e a produção de mudas para reflorestamento.