Um estudo observacional com mais de 40 mil adultos americanos, publicado no European Heart Journal, identificou que pessoas que consomem café somente pela manhã têm menor risco de mortalidade geral e por doenças cardiovasculares. A associação não foi observada entre aqueles que ingerem a bebida ao longo de todo o dia. O período matutino até as 14 horas é apontado como a faixa recomendada para a ingestão.
A cafeína age no sistema nervoso central como sinalizador de alerta e altera o ritmo circadiano. A substância tem meia-vida de 5 a 7 horas no organismo. Na prática, uma xícara tomada às 16 horas mantém quantidades ativas da substância circulando no cérebro por volta das 23 horas.
Mesmo quando a pessoa adormece sem dificuldades aparentes, a presença do estimulante altera a arquitetura do sono e reduz a fase do sono profundo, etapa indispensável para a recuperação celular e a regulação do sistema cardiovascular. A cafeína tardia também pode desregular a curva do cortisol, hormônio que mantém o estado de vigília. Picos noturnos desse hormônio deixam o corpo em estresse metabólico em um momento destinado à recuperação.
A persistência desse ciclo de sono inadequado e estresse hormonal pode favorecer o desenvolvimento de inflamação sistêmica crônica. Esse quadro inflamatório sobrecarrega a função cardíaca e pode dificultar o processo de emagrecimento.
Para assegurar os compostos antioxidantes e bioativos da bebida sem comprometer o organismo, médicos recomendam encerrar o consumo de cafeína até as 14 horas. Esse intervalo garante que o corpo metabolize a substância a tempo de liberar o cérebro do estimulante antes do horário de dormir, preservando a qualidade do repouso e a saúde metabólica.