Pesquisadores da USP apontam riscos associados ao consumo de adoçantes artificiais.

Estudo da USP revela que adoçantes podem acelerar o declínio cognitivo em adultos.
Uso de adoçantes e suas implicações para a saúde cerebral
Um recente estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) sugere que o uso de adoçantes artificiais pode acelerar o declínio cognitivo em adultos. A pesquisa, publicada na revista Neurology, revela que o consumo dessas substâncias está associado a um aumento significativo nos sinais de demência, com um impacto ainda mais acentuado nas habilidades de fala. Esses achados levantam preocupações sobre a segurança do uso de adoçantes na alimentação.
Contexto da pesquisa sobre adoçantes
O estudo observou 12.772 servidores públicos ao longo de oito anos, analisando o consumo de sete adoçantes de baixa ou nenhuma caloria, incluindo aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, xilitol, sorbitol e tagatose. Excluindo a tagatose, todos os outros adoçantes mostraram uma associação com o declínio cognitivo. Os dados foram coletados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, que começou em 2008, onde os participantes responderam a questionários sobre suas alimentações e realizaram testes de memória e raciocínio.
Os resultados indicaram que indivíduos que consumiram a maior quantidade de adoçantes apresentaram uma taxa 62% maior de declínio cognitivo global e 173% maior de declínio da fluência verbal em comparação aos que consumiram menos. Além disso, a taxa de declínio da memória foi 32% maior entre os maiores consumidores. Esse efeito foi notável principalmente em pessoas com menos de 60 anos.
Fatores que contribuem para a associação
Os pesquisadores levantaram várias hipóteses para explicar os resultados observados. Uma delas sugere que adoçantes podem ser metabolizados em compostos neurotóxicos, que gerariam inflamação no cérebro, acelerando a perda de funções cognitivas. Outra possibilidade é que a alteração da microbiota intestinal poderia afetar o metabolismo da glicose, comprometendo a barreira hematoencefálica e, por conseguinte, o sistema nervoso.
Apesar das evidências apresentadas, os autores do estudo enfatizam que se trata de uma pesquisa observacional. Isso significa que não é possível estabelecer uma relação de causa direta, mas sim uma associação estatística robusta. Além disso, as limitações do estudo incluem o fato de que os dados sobre alimentação foram autorrelatados, o que pode resultar em distorções. Também foi notado que a sucralose, um adoçante popular, não foi avaliada, pois não estava entre os mais consumidos em 2008.
Implicações para a saúde pública
O estudo da USP traz à tona um debate importante sobre a necessidade de maior transparência na rotulagem dos produtos alimentícios, já que a quantidade exata de adoçantes nem sempre é informada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia emitido diretrizes em 2023 recomendando que adoçantes artificiais não sejam utilizados para controle de peso ou prevenção de doenças crônicas. Especialistas alertam que esses aditivos estão associados a problemas metabólicos e cognitivos em estudos anteriores.
Os resultados da pesquisa indicam que adultos de meia-idade podem ser os mais vulneráveis aos efeitos negativos do consumo desses adoçantes. Portanto, decisões de consumo ao longo da vida podem impactar o envelhecimento cerebral. Os pesquisadores defendem a necessidade de ensaios clínicos para confirmar suas descobertas em condições mais controladas e sugerem que investigações específicas sobre a sucralose também sejam realizadas.
Diante dessas evidências, especialistas recomendam que se reduza o consumo de adoçantes artificiais, sugerindo alternativas como mel e xarope de bordo, embora com cautela em relação às quantidades. Os achados do estudo podem servir como um alerta para que a população reavalie suas escolhas alimentares, especialmente em relação ao uso de adoçantes artificiais.