Especialista alerta que picos de energia podem chegar por cabos de dados e reforça importância de proteção profissional nas residências
De acordo com estudos técnicos sobre o tema, esses picos podem ultrapassar rapidamente os níveis normais de operação e causar danos imediatos aos circuitos internos dos aparelhos, além de reduzir sua vida útil . Em muitos casos, o impacto acontece de forma silenciosa, comprometendo o funcionamento do equipamento ao longo do tempo.
O engenheiro civil Victor Xavier Henriques, co-founder e líder técnico da Help Reforma e Construção, explica que o erro mais comum está em considerar apenas a rede elétrica como fonte de risco. “As pessoas focam na tomada, mas esquecem que cabos de internet, TV e antenas também conduzem energia. O surto não escolhe caminho, ele percorre qualquer condutor disponível”, afirma.
Raios e picos internos ampliam o risco
No Brasil, onde ocorrem cerca de 58 milhões de descargas atmosféricas por ano, os surtos provocados por raios estão entre as principais causas de queima de eletrodomésticos . Quando um raio atinge ou passa próximo à rede elétrica, ele pode induzir uma sobrecarga que se espalha pela fiação da residência.
Além disso, nem todo surto vem de fora. Picos também podem ser gerados dentro da própria instalação elétrica, como no acionamento de equipamentos de alta potência, a exemplo de ar-condicionado e motores elétricos. Esse cenário reforça que o problema é estrutural e constante, não apenas eventual.
As “portas invisíveis” dentro de casa
Mesmo com o aparelho fora da tomada, o risco pode continuar presente. Cabos coaxiais, fios de rede e antenas funcionam como vias alternativas para a entrada da sobrecarga elétrica.
“Uma televisão desconectada da energia, mas ligada ao cabo da operadora, ainda está vulnerável. O surto pode atingir diretamente a placa interna”, explica Victor.
Segundo ele, a única forma de proteção manual realmente eficaz é desconectar todos os cabos físicos antes do início da tempestade, o que nem sempre é viável na prática.
Tecnologia mais sensível, risco maior
A evolução tecnológica também contribui para o aumento da vulnerabilidade. Equipamentos modernos operam com tensões cada vez menores e circuitos mais compactos, o que os torna mais sensíveis a variações elétricas.
Pesquisas indicam que surtos podem causar não apenas falhas imediatas, mas também desgaste progressivo dos componentes eletrônicos, reduzindo sua durabilidade .
O perigo de agir na hora errada
Outro ponto de atenção é o momento da ação. Tentar desligar aparelhos durante a tempestade pode ser perigoso.
“Existe o risco de formação de arco elétrico, que pode provocar choque ou queimaduras. Se a chuva já começou, o mais seguro é não mexer em tomadas ou cabos”, alerta o engenheiro.
Proteção contínua ainda é a solução mais eficaz
Diante desse cenário, especialistas apontam que a proteção mais eficiente é aquela instalada diretamente na estrutura elétrica da residência. O DPS, Dispositivo de Proteção contra Surtos, é considerado hoje uma das principais soluções.
Estudos mostram que a presença desse tipo de equipamento é fundamental para preservar sistemas elétricos e evitar danos em equipamentos, sendo inclusive prevista em normas técnicas em alguns contextos .
“O DPS atua rapidamente, desviando o excesso de energia para o aterramento. Mas ele só funciona corretamente se o sistema de aterramento estiver adequado”, explica Victor.
Prevenção é investimento, não custo
Com a crescente presença de eletrônicos nas residências, desde eletrodomésticos até dispositivos conectados, a proteção contra surtos elétricos deixou de ser um cuidado opcional.
Mais do que evitar prejuízos financeiros, trata-se de garantir segurança e preservar equipamentos essenciais no dia a dia. Em um país com alta incidência de raios e redes elétricas sujeitas a variações, entender os riscos é o primeiro passo para não ser pego de surpresa.
Fonte e foto: Assessoria de Imprensa.