Dados alarmantes do Unicef sobre a saúde de crianças e adolescentes

Pela primeira vez, o número de crianças obesas no mundo supera o de desnutridas, segundo o Unicef.
Pela primeira vez na história, o número de crianças e adolescentes obesos no mundo superou o de desnutridos. Entre os anos 2000 e 2025, a prevalência de desnutrição infantojuvenil diminuiu de 13% para 9,2%. No mesmo período, a porcentagem de obesidade subiu de 3% para 9,4%. Os dados foram divulgados nessa quarta-feira (10/9) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Aumento alarmante da obesidade infantil
O levantamento revela que uma a cada cinco crianças ou adolescentes com idades entre 5 a 19 anos está acima do peso no mundo, representando quase 391 milhões de pessoas. Entre elas, cerca de 188 milhões estão na faixa da obesidade. O cenário só não foi visto na África Subsaariana e no Sul da Ásia, onde existem mais jovens desnutridos. Além disso, a obesidade eleva o risco de resistência à insulina, pressão alta, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.
O caso do Brasil
O Brasil aparece no relatório como um dos países que mais representam a mudança nesse panorama. Em 2000, 5% da população infantojuvenil estava na faixa da obesidade, contra 4% na da desnutrição. Em 2022, a obesidade disparou, chegando a 15% e a desnutrição diminuiu para 3%. A taxa de crianças e adolescentes com sobrepeso também cresceu, passando de 18% para 36%.
Causas da epidemia de obesidade
A troca na dieta de alimentos naturais por ultraprocessados é apontada como a principal causa para o problema. O estudo mostra que as escolhas alimentares do público infantojuvenil são bastante influenciadas pelo marketing feito pelas empresas, que dominam comércios e escolas. A diretora Executiva do Unicef, Catherine Russell, destaca que os alimentos ultraprocessados estão substituindo frutas, vegetais e proteínas, prejudicando o crescimento e a saúde mental das crianças.
Medidas necessárias para combater a obesidade
Além do esforço familiar, é necessário a adoção de políticas públicas para enfrentar a obesidade infantil. Medidas como regulação da publicidade, taxação de ultraprocessados e maior acessibilidade a alimentos saudáveis são algumas das ações eficazes recomendadas. A médica Maria Edna de Melo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), reforça que a prevenção precisa ser encarada com urgência, dado que a obesidade envolve fatores biológicos e ambientais.