O café, uma das bebidas mais consumidas mundialmente, tem se destacado não apenas pelo seu sabor, mas também pelos benefícios à saúde. A pesquisa publicada no JAMA em fevereiro de 2026 aponta que o consumo moderado de café e de chás que contêm cafeína está associado a uma diminuição no risco de demência e a um aprimoramento da função cognitiva.
O neurologista Edson Issamu Yokoo, da Rede de Hospitais São Camilo, explica que a cafeína exerce um efeito neuroprotetor ao regular a liberação de neurotransmissores, como o glutamato, que contribui para evitar a toxicidade celular. Além disso, a substância estimula a produção de BDNF, uma proteína vital para a sobrevivência das células e a plasticidade sináptica, ajudando a proteger o tecido cerebral contra o estresse oxidativo e mantendo a integridade das conexões neurais.
Yokoo também destaca que a ingestão de café propicia a liberação de dopamina, o que favorece o humor e a concentração, resultando em um desempenho cognitivo otimizado. Os benefícios da bebida não se restringem à saúde mental; ela também pode ter um impacto positivo na saúde física e metabólica.
A cafeína pode aumentar a taxa metabólica, promovendo a queima de gordura e preparando o corpo para atividades físicas intensas devido ao aumento dos níveis de adrenalina. Para muitos que seguem uma dieta ocidental, o café se torna a principal fonte de antioxidantes, superando a ingestão desses compostos por meio de frutas e vegetais. O neurologista ressalta que a bebida é rica em polifenóis e ácidos clorogênicos, que são essenciais no combate à inflamação e ao envelhecimento celular.
Entretanto, é fundamental consumir o café sem a adição de adoçantes artificiais. Yokoo aponta que essa forma de consumo preserva as propriedades termogênicas, antioxidantes e estimulantes do grão. Quando o café é transformado em uma bebida semelhante a uma sobremesa, com xaropes, creme de leite, leite condensado ou grandes quantidades de açúcar, seus benefícios são comprometidos pelas calorias e gorduras extras.
O médico também alerta sobre a importância de monitorar o consumo de café, especialmente entre aqueles que já enfrentam problemas como ansiedade, transtornos do pânico ou insônia crônica. O horário ideal para a última xícara de café é até o meio da tarde, geralmente por volta das 15h ou 16h, para não prejudicar a qualidade do sono e a saúde mental. O consumo tardio pode interferir no sono, diminuindo a eficiência dos benefícios oferecidos pela bebida.