A tentativa de carimbar Sérgio Moro como “último colocado” na liberação ou execução de emendas parlamentares não é informação — é narrativa.
Em Brasília, a regra é clara: quem se posiciona contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva simplesmente não entra na fila dos recursos ou sofre dificuldades para execução dos recursos liberados. O dinheiro público, que deveria atender a população, passa a ser distribuído conforme o grau de alinhamento político.
No caso de Moro, não há surpresa. Ao manter uma postura firme de oposição e rejeitar práticas pouco transparentes no uso do orçamento, o senador acaba naturalmente isolado desse sistema. Não por falta de atuação, mas por não se submeter à lógica vigente.
Transformar esse isolamento em “ineficiência” é inverter a realidade. É punir a independência e depois usar a própria punição como argumento público.
Mas o ponto mais incômodo está no Paraná.
No estado, o método é o mesmo — e, segundo relatos de bastidores, ainda mais explícito. Parlamentares ligados ao PL ou que declaram apoio a Moro enfrentam cortes de espaços, retirada de cargos e dificuldades na liberação de recursos. A máquina pública passa a ser usada como instrumento de pressão política.
Ou seja: critica-se em nível federal aquilo que se replica — com mais intensidade — no âmbito estadual.
No fim, o chamado “ranking de emendas” não mede quem trabalha mais ou quem entrega melhores resultados. Mede quem mais se alinha.
E isso levanta uma pergunta inevitável: desde quando representar a população virou sinônimo de agradar o governo?