O pós-evento também tem seu encanto
Receber pessoas em casa será sempre algo muito prazeroso, que devemos valorizar e repetir sempre que possível.
É difícil não gostar da troca de afeto e boas energias que os encontros nos trazem. Receber é uma arte que devemos cultivar e transformar em hábito, pois a cada encontro certamente saímos mais fortalecidos. Quando passamos a valorizar esses momentos, eles se tornam fonte constante de leveza, carinho e felicidade.
Parto do princípio de que tudo o que alcançamos pode e deve ser comemorado. Por mais simples que sejam as conquistas, cada momento merece um abraço e, se possível, um brinde. E, mesmo quando não há nada específico a celebrar, o simples fato de estarmos com pessoas especiais já é motivo suficiente para festejar.
Por outro lado, ao planejarmos um encontro, além de pensar no que será servido, nos convidados, no formato e na decoração, é importante considerar também o depois. Ao fechar a porta após acompanhar o último convidado, como estará a casa?
Sim, o pós-evento existe e não pode ser ignorado. Mas jamais deve ser um impeditivo. Tudo se torna mais leve quando há um mínimo de organização desde o início e o pós-evento faz parte desse planejamento.
Uma regra importante: não se deve tratar de limpeza enquanto ainda houver convidados. Nada é mais deselegante do que arrumar a casa com pessoas presentes. Tudo deve seguir conforme o planejado até que o último se despeça.
Depois, surge a pergunta: “terei ajuda no pós-evento?” A resposta define como e quando a arrumação será feita.
Se houver alguém para o dia seguinte, louças e utensílios podem ser reunidos em um único local, de preferência na cozinha. Fecha-se a porta e o restante fica para depois.
Se a responsabilidade for sua, tudo dependerá da disposição. Há quem prefira resolver tudo na mesma noite; outros guardam o essencial, servem-se de uma última taça e descansam. E está tudo bem.
Seja como for, esse momento também pode ser especial.
Eu, por exemplo, tenho um ritual: depois que o último convidado sai, fecho a porta, tiro os sapatos e me sirvo de uma taça de vinho ou espumante (de preferência espumante, que adoro). Aos poucos, separo o que pode ser guardado e reúno a louça. Na maioria das vezes, resolvo tudo no mesmo dia, mas, quando não consigo, deixo para depois.
O que mais gosto, no entanto, é do silêncio que fica. Enquanto organizo a casa, revisito cada conversa, cada riso, cada pequeno imprevisto. Penso em como foi bom estarmos juntos e em como esses momentos se tornam memórias especiais.
Entre uma tarefa e outra, mais lembranças, e o trabalho vai se tornando leve.
No dia seguinte, a rotina retorna. Mas algo permanece: a sensação de leveza e felicidade por ter vivido momentos que, certamente, ficarão guardados — em mim e, espero, também em quem esteve ali.
Monica Cecilio