A estratégia de Donald Trump e a pressão sobre a Europa por alinhamento militar

A postura de Donald Trump em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e aos países europeus tem gerado tensões geopolíticas. O especialista Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, aponta que Trump está sinalizando à Europa que a proteção americana requer um alinhamento com a agenda estratégica dos Estados Unidos.

Em entrevista ao WW, Moita destacou que essa questão não é nova. Ele recordou que, em diversas ocasiões, Trump lembrou que compromissos assumidos pelos europeus foram feitos com o “Trump 45”, no contexto de sua presidência que começou em 2017. Para o especialista, a visão de Trump implica que os aliados europeus não são tratados como parceiros, mas sim como estados que precisam ser pressionados para seguir os interesses americanos.

Moita enfatizou que essa lógica se torna mais clara quando se analisa o perfil das figuras que compõem a elite do Pentágono, como Pete Hegseth, o general Anthony Tata e Elbridge Colby, que é visto como um defensor da estratégia voltada para o Pacífico e da contenção da China. Essa situação demonstra uma mudança na dinâmica de poder, onde a autonomia dos aliados é constantemente questionada.

O especialista também destacou uma crise em curso no comando militar americano, que envolve o pedido de passagem à reserva do general Christopher Donahue, atual comandante supremo aliado na Europa. Donahue, respeitado por sua longa carreira nas operações especiais, é um dos principais apoiadores da Ucrânia dentro do Pentágono. Sua saída forçada é vista como um reflexo das prioridades do governo americano atual.

Outro episódio que ilustra a pressão dos Estados Unidos sobre os europeus ocorreu na Itália, onde Trump revelou que o país havia apoiado mais de 500 voos de aeronaves. Essa revelação gerou reações políticas na Itália, levando a oposição a exigir explicações sobre a natureza desses voos, que a primeira-ministra italiana havia caracterizado como logísticos e de apoio técnico.

Embora os países europeus tenham discutido a necessidade de uma autonomia estratégica desde 2017, a implementação dessas iniciativas não avançou na velocidade desejada, nem para atender às exigências americanas, nem para apoiar adequadamente a Ucrânia. Esse vácuo é explorado por Trump para pressionar seus aliados, conforme observa Moita.

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