A Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada após a Segunda Guerra Mundial com a missão de evitar novos conflitos globais e promover a paz entre as nações. No entanto, o cenário atual levanta questionamentos sobre a capacidade da instituição em cumprir essa missão fundamental. A necessidade de uma ONU mais eficaz, que consiga fazer valer o direito internacional, se torna evidente em tempos de crescente violência e crises humanitárias.
Em um ambiente onde guerras e ataques a civis se tornam cada vez mais frequentes, as reuniões e resoluções da ONU parecem distantes das ações efetivas necessárias. A ineficácia do Conselho de Segurança, muitas vezes paralisado por interesses conflitantes das grandes potências, é um dos principais obstáculos enfrentados pela Organização. Os cinco países com assento permanente — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — detêm o poder de veto, o que pode obstruir a aprovação de resoluções mesmo quando há um consenso entre os demais membros.
Um exemplo recente ilustra essa problemática: em junho de 2025, um projeto que buscava a implementação de um cessar-fogo em Gaza recebeu 14 votos favoráveis, mas foi vetado pelos Estados Unidos. Em setembro do mesmo ano, outra proposta sobre a situação em Gaza também não obteve aprovação devido ao mesmo veto. Essas situações evidenciam a dificuldade da ONU em agir efetivamente quando as grandes potências discordam.
Essa paralisia política coloca em risco a ideia central de que o direito deve prevalecer sobre a força. Se a ONU não conseguir agir de forma decisiva diante das divergências entre os países mais poderosos, a instituição, criada para evitar a prevalência da lei do mais forte, poderá se ver limitada por essa mesma força. A lógica que orientou o século XIX não pode ser a base do século XXI.
A reforma da ONU, especialmente em relação ao Conselho de Segurança, deve deixar de ser apenas um tema de discussões em conferências. É imperativo que essa reforma se torne uma prioridade na diplomacia internacional. Quando a diplomacia falha, a guerra avança, e a inação das instituições internacionais não apenas enfraquece a autoridade da ONU, mas também mina a esperança de que a humanidade tenha aprendido com os erros do passado.
A reflexão sobre a eficácia da ONU é urgente, pois está em jogo não apenas a paz mundial, mas a própria sobrevivência da ideia de que a cooperação internacional pode prevalecer sobre a força bruta. Uma atualização das instituições internacionais é necessária para que possam responder adequadamente aos desafios contemporâneos, garantindo que tragédias como as do passado não se repitam.