No Carnaval, ser rainha de bateria é um cargo desejado, mas que pode acarretar altos custos, embora não necessariamente pela ocupação do posto. Na maioria das escolas de samba do Rio de Janeiro, as famosas que assumem a função não pagam diretamente por ela. Contudo, as despesas relacionadas à preparação para o desfile, como a fantasia utilizada na Marquês de Sapucaí, são frequentemente arcadas pelas próprias rainhas. No entanto, existem exceções em que algumas agremiações adotam diferentes práticas financeiras.
Até o último Carnaval, a Unidos da Tijuca era a única escola carioca que cobrava pelo posto de rainha de bateria, uma prática já consolidada na história da agremiação. A situação, entretanto, mudou com a crise enfrentada pela Mocidade Independente de Padre Miguel, que passou a considerar a cobrança pela função. Essa mudança se deu após a prisão do patrono Rogério de Andrade, que resultou na saída da primeira-dama da escola e na possibilidade de transformar o cargo em uma nova fonte de receita. Rogério está atualmente cumprindo pena em um presídio federal, assim como o presidente da escola, Flávio da Silva Santos.
A presença de uma famosa como rainha de bateria pode trazer benefícios como glamour e visibilidade, embora esse quesito não seja avaliado na apuração dos desfiles. Ter uma rainha pode gerar mais desafios do que vantagens para muitas escolas, pois o cargo não garante pontos na avaliação final. Entretanto, a escolha de uma celebridade pode atrair atenção da mídia e, dependendo do acordo, gerar receitas adicionais. Com o passar dos anos, a função se tornou cada vez mais valorizada, especialmente com a associação a personalidades que contribuíram para a popularidade do posto.
Recentemente, houve especulações sobre Rafa Kalimann, que atuou como musa da Imperatriz Leopoldinense. Embora tenha circulado a ideia de que ela teria pago para assumir essa posição, a realidade é que Rafa arcou apenas com os custos da fantasia para o desfile. Essa informação foi desmentida, já que não houve pagamento pelo cargo em si.
Portanto, o cenário das rainhas de bateria No Carnaval do Rio de Janeiro revela uma dinâmica complexa. Apesar de a maioria das escolas não cobrarem diretamente para a ocupação do cargo, a recente decisão da Mocidade Independente de Padre Miguel indica que essa função pode também ser vista como um ativo financeiro. Enquanto algumas agremiações suportam inteiramente as despesas de suas rainhas, outras deixam que as celebridades arcam com os custos, em troca de visibilidade e prestígio no cenário do samba carioca.