A vaga de Deltan como moeda de troca: Ricardo Barros, Alexandre Curi e o jogo de poder no Paraná

Articulação de bastidores envolveria a ida de Alexandre Curi para o Senado e a disputa pelo comando da Assembleia. O objetivo seria ampliar o poder dos grupos tradicionais e limitar a autonomia do futuro governo Sérgio Moro.

A eleição de Sérgio Moro para o Governo do Paraná não encerrou a disputa pelo poder no Estado. Nos bastidores, uma articulação política começa a desenhar um novo tabuleiro, envolvendo a vaga de Deltan Dallagnol no Senado Federal, o comando da Assembleia Legislativa e a influência sobre o próximo governo estadual.

O movimento atribuído a lideranças tradicionais da política paranaense teria Ricardo Barros (PP) como um dos articuladores, em uma aproximação com Alexandre Curi. A hipótese que circula nos bastidores é que Curi seria viabilizado para ocupar a vaga de Deltan no Senado, enquanto as negociações estaduais envolveriam a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa.

Os interesses seriam complementares: ampliar a influência política em Brasília, fortalecer o grupo na Assembleia e garantir poder de negociação diante do futuro governador.

A articulação, cujos termos ainda não foram confirmados publicamente, levanta uma questão central: estaria em curso uma tentativa de reorganizar as forças políticas tradicionais para dividir o poder e condicionar o governo de Sérgio Moro?

A vaga de Deltan seria a peça central

A disputa em torno da vaga de Deltan ganhou novo componente com a pressão pública do PT do Paraná pelo julgamento do recurso eleitoral relacionado à candidatura do ex-procurador.

Conforme reportagem da Gazeta do Povo publicada nesta segunda-feira (26), o partido divulgou nas redes sociais a mensagem “Você é o próximo” e anunciou que pretende cobrar do Tribunal Superior Eleitoral uma definição sobre o caso.

É nesse cenário que surge a hipótese de Alexandre Curi entrar na disputa pela vaga no Senado. A eventual substituição, entretanto, depende da situação jurídica concreta e do procedimento eleitoral aplicável, não apenas das articulações políticas.

Se Curi chegasse ao Senado, a mudança representaria uma alteração importante em sua trajetória política e poderia modificar a correlação de forças no cenário estadual e nacional.

Para os grupos envolvidos nas negociações, a questão central seria transformar essa possibilidade em uma oportunidade de reorganização política.

Ricardo Barros, Alexandre Curi e a disputa pela Assembleia

A movimentação não se limitaria ao Senado.

Ricardo Barros também teria interesse em fortalecer o projeto político de sua filha, a deputada estadual Maria Victoria, para a presidência da Assembleia Legislativa do Paraná.

Alexandre Curi, por sua vez, possui relações consolidadas com setores tradicionais da Casa e interlocução com diferentes grupos parlamentares.

Nesse contexto, a hipótese de uma composição entre as duas lideranças ganha relevância. A eventual ida de Curi para o Senado e a disputa pela presidência da Assembleia poderiam fazer parte de uma reorganização mais ampla dos espaços de poder.

A pergunta é inevitável: uma mão lava a outra?

Se houver convergência entre esses interesses, a vaga de Deltan poderá representar muito mais do que uma mudança na representação parlamentar. Poderá se tornar uma peça estratégica em uma negociação que envolve o Senado, a Assembleia e o equilíbrio político do Paraná.

É importante ressaltar que os termos dessa possível negociação permanecem no campo das informações de bastidores e ainda precisam ser confirmados.

PT e Lula: o componente nacional da disputa

A pressão do PT sobre Deltan acrescenta uma dimensão nacional ao cenário.

Deltan e Sérgio Moro foram protagonistas da Operação Lava Jato, que atingiu figuras centrais do PT e teve consequências profundas para a política brasileira. A relação entre os dois lados continua marcada por divergências e disputas políticas e judiciais.

Nesse contexto, críticos do PT podem interpretar a ofensiva em torno da situação eleitoral de Deltan como parte de uma disputa política mais ampla. O partido, por sua vez, apresenta a cobrança pelo julgamento como uma iniciativa relacionada ao processo eleitoral.

Uma eventual saída de Deltan do Senado teria consequências para a composição da Câmara Alta, mas não se pode concluir, sem evidências, que exista coordenação entre o PT e os grupos políticos estaduais mencionados.

O que está em jogo é a combinação de uma disputa jurídica nacional com negociações políticas regionais que podem alterar a distribuição de poder no Paraná.

O objetivo seria controlar o governo Moro?

A eleição de Sérgio Moro mudou o comando do Executivo estadual, mas não eliminou a influência das lideranças tradicionais na Assembleia Legislativa.

Se esses grupos conseguirem reunir maioria parlamentar e controlar a Mesa Diretora, poderão exercer influência significativa sobre os projetos, as prioridades e a agenda do novo governo.

É nesse ponto que a articulação ganha dimensão estratégica: além de disputar posições, os grupos políticos precisarão decidir como se relacionarão com um governador que chega ao Executivo com seu próprio projeto de governo.

A hipótese levantada nos bastidores é que uma composição entre setores tradicionais possa fortalecer um polo de poder independente do Palácio Iguaçu, com capacidade de negociar — e eventualmente confrontar — as iniciativas de Moro.

Isso não comprova a existência de um plano para sabotar o governo, mas evidencia a importância da disputa pela Assembleia e da formação da base parlamentar.

O jogo de 2030 pode começar agora

A reorganização das forças políticas também levanta uma questão de longo prazo: quem pretende manter influência sobre o Paraná nas próximas eleições estaduais?

Uma eventual composição entre lideranças tradicionais poderia servir para preservar espaços políticos e fortalecer projetos futuros. A hipótese de uma estratégia voltada a 2030, porém, ainda depende de evidências concretas.

Por enquanto, o que se observa é um cenário de negociações em que a vaga de Deltan, a possível ida de Alexandre Curi para o Senado e a presidência da Assembleia aparecem como peças de um mesmo tabuleiro político.

A pergunta que fica é: estamos diante de uma simples disputa por cargos ou de uma articulação para concentrar poder, controlar a Assembleia e condicionar o governo de Sérgio Moro antes mesmo de sua posse?

No Paraná, a disputa pelo poder já começou. E a vaga de Deltan pode estar no centro desse jogo.

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