Ações da CBA (CBAV3) caem após venda pela Votorantim; entenda a estratégia das empresas e o que pensam os analistas

Avaliação do mercado em meio a mudanças estratégicas.

As ações da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) caíram após venda significativa da Votorantim. Entenda o impacto no mercado.

As ações da Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3) enfrentaram uma queda significativa ao abrir o pregão desta sexta-feira, após o anúncio de um acordo de R$ 4,7 bilhões entre a companhia chinesa Chinalco e a mineradora australiana Rio Tinto para adquirir a participação da Votorantim na empresa. A participação de 68,6% da Votorantim na CBA será adquirida, e a nova joint-venture será controlada pela Chinalco, que deterá 67% das ações, enquanto a Rio Tinto ficará com o restante.

A Transação e Suas Implicações

O acordo também prevê uma oferta pública de aquisição (OPA) para o restante das ações da CBA. O preço base da transação é de R$ 10,50 por ação, o que representa um prêmio de apenas 1,5% em relação ao preço de fechamento anterior ao anúncio. Essa situação levanta questões sobre o valor futuro das ações da CBA, especialmente após uma valorização de 100% no último ano. O UBS BB, por exemplo, destaca que a avaliação total da empresa gira em torno de R$ 10 bilhões, considerando uma dívida líquida de R$ 3,3 bilhões no último trimestre.

Analistas estimam que a CBA poderá gerar cerca de R$ 2 bilhões em Ebitda para 2026, avaliando a transação em aproximadamente cinco vezes o EV/Ebitda, uma avaliação considerada justa pelo UBS BB. Além disso, a governança corporativa da CBA garante que os acionistas minoritários terão direitos de acompanhamento, levando à expectativa de que as ações sejam retiradas da bolsa brasileira em um futuro próximo.

A Reação do Mercado e Análises dos Especialistas

Em meio a essas notícias, as ações da CBA chegaram a cair 2%, enquanto estavam cotadas a R$ 10,25 por volta das 11h50, horário de Brasília. A alta acumulada das ações até o fechamento de 29 de janeiro ainda é de 47%, mas a transação recente pode mudar essa perspectiva. O Santander, por exemplo, considera a notícia neutra, mas destaca o potencial de investimento no projeto de bauxita Rondon, que poderá aumentar a capacidade de produção da empresa.

Os analistas da XP Investimentos veem essa aquisição sob uma luz estratégica. Para eles, a transação está alinhada com os objetivos de longo prazo da China em garantir o acesso a bauxita, especialmente considerando que a Austrália e Guiné dominam o fornecimento global. Assim, a compra da CBA é vista como uma forma de diversificar as fontes de suprimento e fortalecer a cadeia de fornecimento.

O Rebalanceamento da Votorantim

Para a Votorantim, essa venda é parte de uma estratégia maior de rebalanceamento do portfólio. A companhia tem, nos últimos anos, diminuído sua exposição a commodities cíclicas e realocado capital para setores mais estáveis, como infraestrutura e utilidades. A venda de sua participação na CBA se encaixa perfeitamente nessa estratégia.

Com as aprovações ainda necessárias do CADE e outras agências regulatórias, o futuro da CBA no mercado de ações se apresenta como uma incerteza, mas as análises indicam um cenário de reavaliação e possível desinvestimento que pode ter impacto significativo sobre os acionistas e o mercado como um todo. A recomendação do UBS BB permanece neutra, refletindo um momento de espera e observação sobre as próximas movimentações do mercado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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