Acordo comercial Índia-UE reflete estratégia contra tarifas de Trump

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Parceria reforça laços comerciais e sinaliza resposta conjunta a políticas tarifárias dos EUA

O acordo comercial Índia-UE fortalece relações e representa uma estratégia conjunta para enfrentar as tarifas impostas pelos EUA sob Donald Trump.

O acordo comercial Índia-UE, anunciado em 2026, representa uma importante virada nas relações comerciais entre as duas potências econômicas, refletindo não apenas interesses econômicos, mas também estratégicos diante do cenário global marcado pela imprevisibilidade da administração Trump nos Estados Unidos.

Relações comerciais históricas e a nova dinâmica

A União Europeia é atualmente o maior parceiro comercial da Índia, com o comércio de bens chegando a US$ 142,3 bilhões em 2024, representando 11,5% do total das trocas comerciais indianas. Apesar desses números expressivos, as negociações para um acordo abrangente ficaram estagnadas por duas décadas, o que levanta a questão do que mudou para que o pacto fosse finalmente fechado.

O principal catalisador foi o ambiente geopolítico em rápida evolução, especialmente o impacto das políticas tarifárias dos EUA sob o governo de Donald Trump, que frequentemente utilizou tarifas como ferramenta de pressão ou punição, inclusive contra aliados tradicionais.

Impacto das tarifas dos EUA sobre Índia e UE

Os Estados Unidos impuseram tarifas de até 50% sobre produtos indianos, incluindo uma sobretaxa de 25% relacionada à resistência da Índia em cessar a compra de petróleo russo. Paralelamente, a UE também enfrentou ameaças tarifárias por parte dos EUA, como no caso do desacordo sobre a Groenlândia.

Esses episódios evidenciaram a vulnerabilidade do comércio bilateral diante da política externa dos EUA, incentivando Índia e UE a buscarem uma estratégia conjunta para mitigar riscos e fortalecer suas economias.

Significado geopolítico do acordo

Além dos benefícios comerciais, o pacto assume uma dimensão geopolítica significativa. Líderes como Narendra Modi e Ursula von der Leyen descreveram-no como “a mãe de todos os acordos”, enfatizando a união entre as grandes economias para enfrentar desafios globais e reduzir dependências estratégicas, especialmente da China.

O acordo também serve como um sinal claro à administração Trump, demonstrando que potências globais estão buscando formas coletivas de proteção contra políticas tarifárias inesperadas.

Desafios para a implementação e ratificação

Apesar do entusiasmo, o acordo ainda enfrenta dificuldades para sua implementação plena. O texto final demandará meses de trabalho jurídico e deverá passar pela ratificação nos Parlamentos nacionais e no Parlamento Europeu, processo que pode ser complexo, como evidenciado pelo acordo da UE com o Mercosul.

Além disso, questões pendentes como propriedade intelectual, agricultura e emissões de carbono ainda precisam ser negociadas para garantir um equilíbrio entre os interesses das partes.

Implicações para o comércio global

Este acordo reforça o compromisso da Índia em expandir sua participação em acordos de livre comércio, diversificando parceiros e abrindo seu mercado frequentemente protegido. Para a UE, representa uma oportunidade de acesso a um gigantesco mercado emergente e uma alternativa à dependência da China.

Em meio à volatilidade das relações comerciais globais, Índia e UE apostam na cooperação e na formação de blocos econômicos como estratégia para garantir segurança econômica e geopolítica, buscando influenciar futuras negociações com os EUA e outros parceiros.

Contexto regional e internacional

O acordo faz parte de um movimento mais amplo, no qual países e blocos internacionais reforçam parcerias diante das incertezas da política comercial americana. Exemplos incluem o pacto da UE com o Mercosul e as iniciativas do Canadá e Reino Unido em fortalecer relações comerciais com a China e Índia, mesmo diante das tensões crescentes.

Essa tendência evidencia a busca por múltiplas alternativas para garantir estabilidade econômica e reduzir vulnerabilidades em uma ordem mundial em transformação.

Fonte: www.bbc.com

Fonte: the European Parliament may not be easy

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