As negociações entre os Estados Unidos e o Irã estão se tornando cada vez mais complicadas, conforme analisam correspondentes e especialistas do programa Fora da Ordem. Apesar das frequentes declarações de Donald Trump, que indicavam uma possível aproximação, a realidade das conversas se revela como um processo moroso e cheio de entraves.
Mariana Janjácomo, correspondente da CNN nos EUA, observou que a situação se mantém praticamente a mesma. Em sua avaliação, o impasse persiste e ela reiterou sua visão de que um acordo é altamente improvável. Em comparação ao quadro encontrado após um intervalo de duas semanas, Janjácomo constatou que não houve avanços significativos nas tratativas.
A correspondente destacou que, embora existam conversas em andamento, a complexidade das negociações é elevada e não se esperava que fossem simples. Donald Trump fez parecer que o entendimento seria rápido, mas a realidade é que esses acordos podem levar meses ou até anos para serem finalizados. Além disso, um cessar-fogo fragilizado entre os envolvidos se mostra como um desafio, com ataques ainda sendo realizados por ambas as partes. O Irã exige um cessar-fogo que envolva Israel e Líbano, além do Hezbollah, o que complica ainda mais as discussões.
Trump, em seus discursos, alterna entre promessas de negociações e ameaças. Recentemente, ele afirmou que retaliações ocorreriam caso o Irã atacasse um soldado americano. Enquanto isso, Marco Rubio comunicou ao Congresso que a operação militar na região já estaria encerrada, embora a falta de consenso sobre a condução do conflito persista, evidenciando divisões até mesmo dentro da própria Casa Branca.
A insatisfação popular nos Estados Unidos com a continuidade do conflito se reflete nas ações do Congresso, que aprovou uma medida para restringir os poderes de guerra do presidente. Essa iniciativa é vista como um movimento significativo, especialmente considerando que, anteriormente, o partido buscava evitar votações que pudessem constranger Trump.
Os impactos econômicos do conflito também foram discutidos, com foco no restabelecimento das cadeias de fornecimento de óleo, gás e fertilizantes. Isso gera consequências diretas sobre o transporte e a produção de alimentos em todo o mundo. Mesmo que a guerra chegue ao fim, os efeitos dela deverão ser sentidos por um longo período. Para o Brasil, maior produtor de alimentos global, a inflação alimentar já é projetada em 7% para este ano, superando a meta de 3%. Essa situação é em parte resultado da dependência de 90% de importações de fertilizantes, com o Oriente Médio sendo um fornecedor crucial.