Impactos a longo prazo e expectativas para o consumidor em 2026
Acordo Mercosul-UE promete diversidade no mercado de vinhos, mas queda nos preços deve demorar.
Acordo Mercosul-UE e o mercado de vinhos no Brasil
O acordo Mercosul-UE, recentemente autorizado pelo Conselho da União Europeia, promete redesenhar o mercado de vinhos no Brasil. Com a expectativa de maior diversidade de rótulos e um ambiente de concorrência mais equilibrado, o CEO do Grupo Wine, Alexandre Magno, ressalta que a principal vantagem será para o consumidor. Contudo, a queda nos preços não ocorrerá no curto prazo, pois a eliminação das tarifas será gradual, levando de oito a doze anos.
Impactos da eliminação de tarifas
Atualmente, o vinho europeu enfrenta uma alíquota de importação de 27%, que será reduzida progressivamente. Isso permitirá que países como Portugal e Espanha, conhecidos por sua produção em larga escala, disputem mais intensamente o mercado brasileiro, que já é dominado por vinhos sul-americanos, especialmente do Chile, Argentina e Uruguai. Alexandre Magno acredita que a competitividade do vinho sul-americano se deve à sua escala de produção e estruturas de custo mais enxutas, além da proximidade geográfica com o Brasil.
Mudança no perfil de consumo
O mercado brasileiro de vinhos está demonstrando sinais de premiumização. Em 2025, houve uma retração nas vendas de vinhos de entrada, enquanto rótulos de maior valor agregado apresentaram crescimento. Essa tendência, observada em outras categorias de consumo, indica que os brasileiros estão dispostos a pagar mais por qualidade. Em resposta a isso, a Wine está ampliando sua oferta de rótulos europeus premium, ajustando sua estratégia para melhor atender a esse novo perfil de consumidor.
Estratégias do Grupo Wine
Após um ciclo de expansão acelerada entre 2019 e 2024, em que a empresa triplicou de tamanho, a Wine agora foca na rentabilidade e na geração de caixa. Em 2025, o lucro líquido da empresa foi de R$ 21,9 milhões, revertendo prejuízos anteriores. Essa mudança de foco reflete um desejo de priorizar a qualidade em vez do crescimento acelerado, um movimento intencional que busca consolidar a presença da marca no mercado.
A atuação omnicanal da Wine
Além de suas operações de e-commerce e clube de assinatura, a Wine diversificou suas fontes de receita, agora contando com uma presença significativa no varejo físico. Com cerca de 50% de seu faturamento proveniente do B2B, a empresa está se posicionando para capturar oportunidades em supermercados e lojas especializadas, que representam mais de 80% das vendas de vinho no Brasil.
Expectativas para o futuro
Enquanto o acordo Mercosul-UE promete impulsionar o mercado a longo prazo, as empresas devem se preparar para os efeitos que virão. Alexandre Magno observa que a transição exigirá tempo e que o foco deve ser em parcerias sólidas e um portfólio bem posicionado. Em 2026, espera-se um ambiente cauteloso, com crescimento moderado e um contínuo foco na eficiência operacional. O cenário econômico atual, marcado por volatilidade cambial e altos juros, torna essa preparação ainda mais crucial.
Considerações finais
O acordo Mercosul-UE representa uma oportunidade significativa para o mercado de vinhos no Brasil, mas a transformação será gradual. O foco em qualidade e as mudanças nas preferências dos consumidores indicarão o caminho para o futuro. À medida que as tarifas diminuem, as empresas que se adaptarem rapidamente estarão em uma posição vantajosa para aproveitar as novas possibilidades que surgirão.
Fonte: brazileconomy.com.br
Fonte: Divulgação
