Entenda as implicações e desafios do maior acordo de livre comércio da história da UE
Os países da União Europeia estão prestes a aprovar a assinatura de um acordo comercial histórico com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações. Este acordo representa um marco no comércio internacional.
Com a expectativa em alta, os países da União Europeia estão prontos para aprovar, nesta sexta-feira (9), a assinatura do que se considera o maior acordo de livre comércio da história do bloco, estabelecido ao longo de mais de 25 anos de negociações com o Mercosul. As negociações foram concluídas pela Comissão Europeia há cerca de um ano, e o suporte de potências como Alemanha e Espanha ressalta a importância do acordo na estratégia da UE de abrir novos mercados, especialmente em um contexto de tensões comerciais com os EUA e crescente dependência da China.
Contexto do Acordo
O acordo comercial tem como objetivo não apenas expandir as oportunidades de mercado, mas também mitigar as perdas comerciais que os países europeus vêm enfrentando. A assinatura do acordo permitiria à União Europeia eliminar tarifas que somam cerca de 4 bilhões de euros, promovendo um fluxo mais dinâmico de bens entre as regiões. As trocas comerciais entre a UE e os países do Mercosul, como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, têm um volume estimado de 111 bilhões de euros para 2024, com foco em produtos variados, desde maquinaria e produtos químicos até alimentos e minerais.
Entretanto, o caminho para a aprovação não é isento de desafios. O setor agrícola da Europa, especialmente na França, tem expressado preocupações significativas. Os opositores do acordo argumentam que a abertura das fronteiras para produtos alimentícios mais baratos poderá prejudicar os agricultores locais. Protestos em várias cidades europeias, incluindo bloqueios de estradas na França, evidenciam a tensão entre as nações membros sobre as implicações do acordo.
Detalhes da Aprovação e Desafios
Nesta sexta-feira, embaixadores dos 27 países da UE devem manifestar as posições de seus governos. Para que o acordo seja aprovado, é necessária a concordância de 15 países, que representam 65% da população total do bloco. A confirmação oficial deve ocorrer ainda hoje ou na próxima segunda-feira. Assim que aprovado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo, mas a ratificação final ainda dependerá do Parlamento Europeu, onde a votação está prevista para ocorrer entre abril e maio.
As preocupações levantadas por grupos ambientalistas e pela ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, sobre os impactos do acordo no setor agrícola, ainda estão longe de serem resolvidas. A França, como maior produtor agrícola da UE, continua liderando a oposição ao acordo, prometendo lutar contra sua aprovação na assembleia da UE. Além disso, a Polônia também permanece cética, embora a Itália tenha mostrado um sinal positivo, mudando sua posição de oposição para apoio.
Para mitigar as preocupações, a Comissão Europeia implementou várias salvaguardas, como a suspensão de importações de produtos agrícolas sensíveis e a criação de um fundo de crise para apoiar os agricultores afetados. Essas medidas, no entanto, não garantem um consenso entre os países membros, já que muitos ainda temem que o acordo favoreça a importação de produtos a preços baixos, afetando a competitividade dos produtos europeus.
O acordo entre a União Europeia e o Mercosul pode não apenas redefinir as relações comerciais entre as duas regiões, mas também servir como um barômetro para futuras negociações comerciais globais. O resultado da votação e as reações subsequentes serão observados de perto, tanto na Europa quanto na América do Sul, já que as implicações desse acordo podem moldar o futuro do comércio internacional.
Fonte: www.moneytimes.com.br
