Acordo União Europeia-Mercosul: vencedores do agronegócio em 2026

BTG Pactual aponta setores com potencial de crescimento no agronegócio brasileiro

BTG Pactual identifica setores como café e etanol como principais beneficiados pelo acordo.

Acordo União Europeia-Mercosul: impacto no agronegócio brasileiro

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, previsto para ser assinado em 17 de janeiro de 2026, promete trazer mudanças significativas para o agronegócio. Apesar das expectativas limitadas quanto ao impacto imediato, o BTG Pactual aponta que setores como café, aves, etanol e açúcar têm potencial para se beneficiar a longo prazo.

Setores com maior potencial de ganho

Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla do BTG avaliam que, embora o aumento nas exportações seja gradual, as oportunidades para empresas do agronegócio são reais. O acordo mantém a cota de 180 mil toneladas de açúcar, eliminando tarifas dentro desse volume, o que representa cerca de 3% das exportações brasileiras de açúcar em 2025. Contudo, as vendas para a União Europeia já superam esse limite, indicando um impacto incremental limitado.

Para o etanol, uma nova cota de 650 mil toneladas foi estabelecida, das quais 450 mil toneladas são livres de tarifa. Apesar disso, o impacto total sobre a produção de etanol do Brasil, que responde por apenas 4% das exportações, é considerado modesto. O BTG acredita que a expansão da capacidade de produção de etanol de milho poderá melhorar o cenário, embora em termos de volume, os benefícios ainda sejam insuficientes.

Oportunidades e desafios nas proteínas

O acordo também introduz cotas com tarifas reduzidas para importações de proteínas. Inicialmente, a cota é de 16,5 mil toneladas, aumentando gradualmente até 99 mil toneladas em 2031. Contudo, esse volume representa apenas uma fração da produção total do Mercosul. O BTG ressalta que frigoríficos podem se beneficiar de um mix de vendas melhor, dado que os preços pagos pela UE pela carne bovina brasileira são significativamente superiores aos preços médios de exportação do Brasil.

Café e arroz: vantagens competitivas

No que se refere ao café, a eliminação gradual das tarifas de 7,5% ao longo de quatro anos deve sustentar as exportações, já que a UE é o principal destino das exportações brasileiras. Para o arroz, uma cota de 60 mil toneladas livres de tarifa será implementada, o que é quase o dobro das exportações atuais. Isso poderá beneficiar empresas como a Camil, que opera no Uruguai e Paraguai.

Expectativas de ratificação e impactos regulatórios

O BTG Pactual destaca que a ratificação do acordo pelo Parlamento Europeu é crucial, pois a distribuição das cotas entre os países do Mercosul só será definida após esse processo, o que limita a visibilidade sobre os impactos para o Brasil. Além disso, a maioria das reduções tarifárias e cotas será implementada de forma gradual, reduzindo os efeitos no curto prazo.

Conclusão: um futuro promissor, mas cauteloso

Apesar das incertezas, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul apresenta oportunidades para o agronegócio brasileiro. O BTG Pactual enfatiza a necessidade de monitorar as condições do mercado e as respostas dos setores afetados. Em um cenário onde as tarifas estão sendo eliminadas e as cotas ampliadas, o Brasil pode capturar uma parte significativa do mercado europeu nos próximos anos, mas sempre com cautela e atenção às dinâmicas do comércio internacional.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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