Carlos Eduardo, advogado de defesa de Daniela Beatriz, tia que evitou o sequestro de uma recém-nascida no Piauí no início deste mês, criticou a decisão da Polícia Civil do Piauí que indiciou sua cliente. O indiciamento ocorreu na última sexta-feira (19/07) e foi por calúnia e difamação, após Daniela acusar a maternidade de tentar encobrir o crime cometido pela enfermeira Auricélia Rocha, que se encontra presa.
O advogado revelou que Daniela Beatriz temia ser presa, considerando sua condição de mãe de uma criança autista, que ficaria sozinha em caso de sua detenção. Carlos Eduardo enfatizou a complexidade da situação, uma vez que sua cliente foi tratada como uma heroína por evitar o sequestro, mas agora se vê indiciada.
“Entender isso (o indiciamento) foi a maior complexidade, não só pela questão jurídica como por toda a sociedade brasileira. Tivemos acesso ao inquérito policial que relata que uma enfermeira mentiu para ela na maternidade, dizendo que Auricélia não trabalhava lá, quando, na verdade, ela era funcionária”, explicou o advogado.
A defesa de Auricélia Rocha alega que a enfermeira foi diagnosticada com transtorno psicótico agudo polimorfo, apresentando sintomas esquizofrênicos e comprometimento da compreensão dos fatos. Além disso, a defesa menciona que a profissional faz uso de medicamentos psiquiátricos.
A Polícia Civil informou que a Maternidade Dona Evangelina Rosa, onde ocorreu a tentativa de sequestro, não tinha conhecimento das intenções da enfermeira e não tentou encobrir o crime. Dessa forma, Daniela Beatriz foi indiciada por calúnia e difamação contra a instituição de saúde, gerando repercussão sobre a falta de apoio à tia que agiu para proteger a recém-nascida.