Data chama a atenção para sinais que muitas vezes são confundidos com outras doenças e destaca que o diagnóstico precoce amplia as chances de sucesso no tratamento
Agosto é o mês de conscientização sobre os linfomas, grupo de cânceres que têm origem no sistema linfático, parte fundamental do sistema imunológico responsável pela defesa do organismo. Conhecida como Agosto Verde Claro, a campanha busca ampliar o conhecimento da população sobre os sinais da doença e reforçar a importância do diagnóstico precoce, que pode fazer diferença no sucesso do tratamento.
De acordo com a Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil, publicada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin por ano no triênio 2026-2028, sendo 6.580 entre homens e 5.980 entre mulheres. Em 2023, a doença foi responsável por 4.860 óbitos no Brasil. Já o linfoma de Hodgkin, menos frequente, tem estimativa de cerca de 3.080 novos casos anuais, segundo o INCA.
Apesar de existirem mais de 70 subtipos de linfoma, eles são divididos em dois grandes grupos: linfoma de Hodgkin e linfomas não Hodgkin. Os sintomas costumam variar conforme o tipo e o estágio da doença, mas alguns sinais merecem atenção, principalmente quando persistem por mais de duas semanas.
“O sintoma mais conhecido é o aumento dos linfonodos, popularmente chamados de ínguas, principalmente no pescoço, axilas ou virilha, geralmente sem dor. No entanto, também podem ocorrer febre persistente, suor noturno intenso, perda de peso sem causa aparente, cansaço excessivo e coceira pelo corpo. Como esses sintomas podem ser confundidos com infecções ou outras doenças, é importante procurar avaliação médica quando eles persistem”, explica a oncologista clínica do IOP – Instituto de Oncologia do Paraná, Dra. Rosane do Rocio Johnsson.
Embora não exista uma forma comprovada de prevenir os linfomas, alguns fatores estão associados ao aumento do risco, como alterações do sistema imunológico, doenças autoimunes, algumas infecções virais e bacterianas, além da idade, especialmente no caso dos linfomas não Hodgkin, mais comuns após os 60 anos. Na maioria dos pacientes, entretanto, não é possível identificar uma causa específica para o desenvolvimento da doença.
Segundo a especialista, a confirmação do diagnóstico depende de investigação médica e não pode ser feita apenas por exames de sangue. “O diagnóstico normalmente envolve exame clínico, exames de imagem e, principalmente, a biópsia do linfonodo ou do tecido acometido. É essa análise que permite identificar o tipo de linfoma e definir o tratamento mais adequado para cada paciente”, destaca.
Os avanços da oncologia têm ampliado as possibilidades terapêuticas. Atualmente, além da quimioterapia e da radioterapia, muitos pacientes podem se beneficiar de imunoterapia, terapias-alvo e, em casos específicos, transplante de medula óssea. A escolha depende do subtipo da doença, da extensão do tumor e das condições clínicas de cada pessoa. “Hoje dispomos de tratamentos cada vez mais personalizados. Muitos pacientes conseguem controlar a doença por longos períodos e, em diversos casos, alcançar a cura. Por isso, reconhecer os sinais e buscar atendimento especializado precocemente continua sendo um dos principais aliados para melhores resultados”, afirma a Dra. Rosane.
Durante o Agosto Verde Claro, especialistas reforçam que conhecer os sintomas e reduzir o tempo entre os primeiros sinais e o diagnóstico são medidas fundamentais para aumentar as chances de sucesso terapêutico e oferecer mais qualidade de vida aos pacientes.
Fontes: Instituto Nacional de Câncer (INCA), Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil e página oficial sobre Linfoma de Hodgkin.
Foto: Crédito: IA.