Entenda o papel da agricultura familiar na redução de emissões de gases
A agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos no Brasil, é fundamental para a agenda de sustentabilidade e redução de emissões de gases.
Diferente da maior parte dos países, o maior desafio para diminuir as emissões de gases com efeito estufa no Brasil não é o uso de combustíveis fósseis, e sim o setor agropecuário. “Não existe agenda climática no Brasil sem uma agenda de transição para o sistema agroalimentar”, explica Arilson Favareto, professor titular da Cátedra Josué de Castro da USP e da área de Planejamento Territorial da UFABC. Segundo ele, três quartos das emissões brasileiras estão relacionadas com o sistema agroalimentar direta ou indiretamente.
Agricultura familiar e segurança alimentar
De acordo com o Censo Agropecuário 2017, a agricultura familiar representa 84% dos estabelecimentos agroalimentares, apesar de ocupar apenas 23% da área total do Brasil. Enquanto a agropecuária intensiva tem foco na exportação, a agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, ressalta que essa modalidade gera alimentos essenciais, garantindo a segurança alimentar e empregos nas áreas rurais.
Benefícios da diversidade na produção
Os especialistas apontam que a agricultura familiar traz benefícios que devem ser explorados para a transição sustentável do setor. A diversidade na produção permite cultivar diferentes espécies em pequenas áreas, apresentando uma alternativa viável à monocultura, que é prejudicial ao meio ambiente. Favareto enfatiza a importância da recuperação de áreas degradadas, que pode ser realizada através de técnicas como o reflorestamento com espécies nativas.
Vantagens sociais e ambientais
Essa abordagem agrícola oferece uma “tripla vantagem” em relação à agropecuária intensiva. Além de benefícios ambientais e alimentares, a agricultura familiar é uma ferramenta para reduzir desigualdades sociais nas áreas rurais. “O potencial desses estabelecimentos está em conjugar iniciativas que possam responder às mudanças climáticas, aumentar a oferta de alimentos e melhorar a renda das famílias”, conclui Favareto.