Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são os candidatos que irão disputar o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, após terem se destacado como os mais votados no primeiro turno, realizado no último domingo (4), conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em entrevista ao programa CNN Novo Dia, Maurício Moura, fundador do Instituto Idea, apresentou uma análise sobre os resultados das urnas e as perspectivas para a segunda fase da disputa. Ele apontou que a rejeição ao governo Lula foi um fator decisivo que motivou os votos em Flávio Bolsonaro.
Moura destacou que o principal recado do primeiro turno foi o caráter oposicionista da eleição. Ele afirmou que eleitores insatisfeitos com o governo se uniram em torno da candidatura de Flávio, o que resultou na diminuição do apoio a outros candidatos nas etapas finais da campanha. Para o especialista, o antipetismo foi um elemento crucial desde o início da corrida eleitoral.
O analista ainda ressaltou que uma parte significativa dos eleitores que escolheram Flávio Bolsonaro não o apoiavam necessariamente, mas viam nele a melhor alternativa para derrotar o PT e Luiz Inácio Lula. Ele descreveu esse fenômeno como “a maior antecipação do segundo turno no primeiro desde o de 89”.
A falta de uma terceira via forte também foi tema de análise por Moura, que identificou dois fatores principais: a grande notoriedade de Lula e Bolsonaro, em contraste com o desconhecimento em relação aos demais candidatos, e a curta duração da campanha, que teve aproximadamente seis semanas. Nenhum dos candidatos fora dos dois principais conseguiu superar 3% dos votos, com Augusto Cury (Avante) obtendo pouco mais de 3 milhões de votos e Renan Santos (Missão) chegando a pouco mais de 2 milhões.
Ao discutir os desafios para o segundo turno, Moura elencou acertos e falhas nas campanhas. Ele considerou que a principal estratégia bem-sucedida de Flávio Bolsonaro foi se posicionar como o candidato da mudança. Porém, ele enfatizou que será necessário abordar de maneira mais eficaz as questões econômicas, uma vez que a eleição ocorre em um contexto de alta endividamento entre os eleitores, e as propostas nessa área ainda não são amplamente conhecidas.