Chairman do BTG Pactual aponta descompasso entre taxas e economia brasileira
André Esteves, do BTG Pactual, classifica as taxas de juros no Brasil como "incompatíveis" e sugere preferência por reais em vez de dólares.
O Brasil se destaca por taxas de juros que muitos consideram “estratosféricas” e “incompatíveis” com o estágio atual da economia. Essa análise foi feita por André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, durante o BTG Summit, um evento promovido pelo banco.
Contexto do Cenário Econômico Brasileiro
Esteves argumenta que uma taxa de 15% ao ano proporciona uma rentabilidade excessiva para investidores, tanto locais quanto estrangeiros. Ele ressalta que os retornos dos títulos indexados ao CDI são desproporcionais ao risco, tornando a renda fixa brasileira extremamente atrativa. Este cenário de juros elevados se origina de uma combinação de fatores, incluindo inflação persistente e uma política monetária que visa controlar os preços, mas que, segundo ele, acaba por criar um descompasso com a real capacidade de crescimento da economia.
Apesar de reconhecer as vantagens da renda fixa, Esteves defende uma estratégia de diversificação. Ele sugere um portfólio equilibrado que inclua ativos atrelados ao IPCA, títulos prefixados e uma parcela em ações. Essa abordagem é essencial para mitigar riscos e maximizar retornos em um ambiente econômico volátil.
Preferências de Alocação de Ativos
Quando questionado sobre a alocação ideal, Esteves foi enfático ao afirmar que, no momento, prefere reais em vez de dólares. A justificativa para essa preferência está na expectativa de que a remuneração em CDI seja superior à comparação com a moeda americana, o que torna mais vantajoso manter a maior parte do portfólio em ativos locais.
Além disso, Esteves analisou o movimento global de rotação de carteiras, que indica uma tendência de redução da exposição a ativos dos Estados Unidos em favor de economias emergentes. Ele observa que, após um longo período de concentração em mercados americanos, fundos soberanos e family offices estão buscando aumentar suas posições em países como Brasil, Coreia do Sul, México e Chile.
Impacto do Fluxo de Capital Estrangeiro
Esteves destacou que o mercado brasileiro, por ser relativamente pequeno em comparação com grandes centros financeiros, demonstra que fluxos modestos de capital estrangeiro podem ter impactos significativos. Por exemplo, o recente rali do Ibovespa foi impulsionado por essas movimentações, enfatizando a sensibilidade do mercado local a influências externas.
Para o banqueiro, a tendência de alta na bolsa brasileira e a queda do dólar são perspectivas que podem se manter. Ele argumenta que os ativos brasileiros continuam a ser “muito baratos” quando comparados a seus pares internacionais, apresentando múltiplos de lucro inferiores aos observados na Europa e nos Estados Unidos. A atratividade do mercado local, mesmo em um contexto de juros elevados, pode continuar a trazer investidores em busca de oportunidades.
Conclusão
As declarações de André Esteves refletem um sentimento otimista em relação ao potencial de crescimento da economia brasileira, mesmo diante de um ambiente de juros altos. Sua preferência por ativos em reais e a recomendação de diversificação sinalizam uma estratégia consciente para navegar pelas complexidades econômicas atuais. Com o mercado local se mostrando cada vez mais vantajoso, investidores podem encontrar oportunidades significativas em um cenário que ainda é considerado desafiador.
Fonte: www.moneytimes.com.br