Governador do Banco da Inglaterra defende combate à interferência populista para proteger padrões de vida
Andrew Bailey destaca a necessidade de instituições globais combaterem o populismo para garantir progresso econômico.
Andrew Bailey alerta sobre os impactos do populismo na economia global
Andrew Bailey alerta populismo em seu discurso na véspera do Fórum Econômico Mundial em Davos, destacando que a ascensão do populismo constitui um dos maiores desafios para a melhoria dos padrões de vida. O governador do Banco da Inglaterra e presidente do Financial Stability Board enfatizou que a interferência populista, como a tentativa do ex-presidente Donald Trump de influenciar a independência do Federal Reserve dos EUA, ameaça a cooperação internacional e a estabilidade econômica. Bailey ressaltou que os líderes de instituições globais têm o dever de “challenge back”, ou seja, responder e contestar as narrativas populistas, com ações concretas e responsabilidade.
Características centrais do populismo segundo Bailey
Andrew Bailey identificou três características principais do populismo que comprometem a cooperação internacional: o predomínio do foco em produção doméstica em detrimento da abertura econômica global; a atribuição de condições adversas a forças externas; e a erosão da confiança nas instituições nacionais e internacionais. Essas tendências dificultam o progresso conjunto e o fortalecimento de políticas que promovem o crescimento econômico sustentável, além de gerar divisões internas que afetam a coesão social e a confiança pública.
O papel das instituições globais na defesa da cooperação
Para Andrew Bailey, as instituições internacionais devem exercer o papel fundamental de informar e orientar, mesmo quando suas mensagens são desconfortáveis ou contra as narrativas populares. Ele destacou que a cooperação global, fundamentada no comércio aberto e regras claras, é essencial para a especialização econômica e o acesso a mercados ampliados, que beneficiam o crescimento e a redução da pobreza mundial. Contudo, ressaltou que é necessário que essas instituições mantenham a precisão e qualidade de suas avaliações para preservar sua credibilidade e eficácia.
Desafios econômicos e sociais que alimentam o populismo
O governador do Banco da Inglaterra admitiu que o crescimento econômico lento e a estagnação dos padrões de vida nos últimos anos contribuíram para o aumento do populismo. Essas condições geraram consequências distributivas que afetaram a coesão social e diminuíram o capital social, aspectos que dificultam a adoção de políticas globais abertas. Bailey ressaltou que, apesar dessas dificuldades, a resposta não deve ser políticas isolacionistas, pois elas apenas aprofundariam os desafios e comprometeriam os ganhos obtidos pela cooperação internacional.
Contexto político e geopolítico atual que reforça a mensagem
As declarações de Andrew Bailey ocorrem em meio a tensões geopolíticas crescentes, como a intervenção dos EUA na Venezuela e as controvérsias sobre o interesse em Groenlândia, além de ameaças legais direcionadas ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Em solidariedade a Powell, Bailey e outros líderes de bancos centrais reforçaram a importância da independência dessas instituições para garantir a estabilidade econômica global. O discurso, proferido pouco antes do encontro de Davos, sinaliza um momento crítico para o fortalecimento da cooperação internacional frente às ameaças do populismo.
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: Maja Smiejkowska/PA
