Antártica revela topografia subglacial detalhada por satélites

Novo mapeamento por satélite permite compreender a superfície oculta sob o gelo da Antártica com precisão inédita

Pesquisadores criam mapa detalhado da topografia subglacial da Antártica usando análise de fluxo do gelo baseada em satélites.

Novo mapeamento detalhado da topografia subglacial da Antártica

A topografia subglacial da Antártica, que fica até 4,8 km abaixo da superfície congelada, foi mapeada com detalhes sem precedentes graças à técnica Ice Flow Perturbation Analysis (IFPA). Este método combina dados de satélites que observam a superfície do gelo com modelos do movimento glacial para inferir as características do terreno escondido sob o gelo. A pesquisa, liderada por Helen Ockenden, da Universidade de Edimburgo e do Institut des Geosciences de l’Environnement, França, foi publicada em janeiro de 2026 e representa um avanço crucial para compreender melhor o continente gelado.

Descobertas geológicas inéditas revelam paisagens antigas

A nova cartografia revelou feições geológicas desconhecidas até então, incluindo canais íngremes possivelmente ligados a antigos sistemas de drenagem e vales profundos semelhantes a vales glaciares em forma de U encontrados em outras regiões da Terra. Essas descobertas fornecem pistas sobre a Antártica pré-glacial e ajudam a reconstruir sua história geológica, possibilitando entender como essas formações influenciam o fluxo do gelo atualmente.

Impacto no estudo do derretimento e elevação do nível do mar

Compreender a topografia sob o gelo é fundamental para prever como as camadas de gelo da Antártica se movem e derretem, influenciando diretamente o aumento do nível dos oceanos. Mapas como o produzido pela equipe de Ockenden permitem aperfeiçoar os modelos climáticos e as projeções de perda de gelo, oferecendo subsídios para políticas globais de mitigação das mudanças climáticas e planejamento costeiro.

Limitações atuais e desafios para pesquisas futuras

Apesar da precisão da nova técnica, o mapeamento ainda está limitado a características de escala média, entre 2 e 30 km. Detalhes menores da paisagem permanecem fora do alcance, indicando a necessidade de pesquisas complementares com métodos geofísicos no terreno e em voos especializados. A equipe enfatiza que seus mapas devem orientar onde concentrar esforços futuros para obter informações mais detalhadas e essenciais para os modelos de fluxo de gelo.

Preparação para o Ano Polar Internacional 2031-2033

O estudo chega em um momento estratégico para a ciência polar, pois o próximo Ano Polar Internacional, previsto para 2031-2033, oferecerá uma oportunidade para esforços internacionais coordenados. Integrar métodos de observação por satélite, modelagem e levantamentos geofísicos poderá ampliar significativamente o entendimento das propriedades da camada de gelo e do leito rochoso, fortalecendo a capacidade de monitoramento e previsão das dinâmicas antárticas.

Esta investigação representa um marco na exploração de um dos ambientes menos conhecidos do planeta, trazendo luz a um mundo escondido e essencial para o equilíbrio climático global.

Fonte: www.space.com

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