Declaração de presidente da Amapá Previdência levanta questões sobre influência externa
A liberação do aporte de R$ 200 milhões no Banco Master pelo fundo de pensão Amapá Previdência desencadeou investigações e suspiros de alívio entre os envolvidos.
O recente aporte de R$ 200 milhões do fundo de pensão Amapá Previdência no Banco Master, que ocorreu em julho de 2024, trouxe à tona uma série de questionamentos sobre a governança e a transparência nas decisões de investimentos públicos. A declaração do presidente da Amapá Previdência, Jocildo Lemos, de que o aporte “tirou um peso das costas” dele, sugere que houve pressões externas significativas para que esse investimento fosse realizado. Essa fala foi feita em meio a uma reunião do comitê de investimentos da autarquia, onde a liberação do montante era esperada com certa ansiedade.
Contexto e Implicações do Aporte
A operação de aporte financeiro foi inicialmente aprovada em uma reunião em 12 de julho de 2024, recebendo risos e um clima de alívio por parte dos membros do comitê. No entanto, a revelação de que essa decisão se deu em um ambiente de pressão, conforme indicado em uma auditoria enviada à Polícia Federal, levanta questões sobre a integridade do processo decisório. A auditoria apontou que a condução das reuniões poderia ter sido influenciada por uma visão simplista e focada exclusivamente em retornos de curto prazo, em descompasso com os princípios de segurança que deveriam reger a gestão de recursos previdenciários.
O investimento foi capitaneado por José Milton Gonçalves, considerado o “mentor” das operações com o Banco Master. A auditoria sugere que tanto Lemos quanto Gonçalves estavam cientes dos riscos e da resistência que o investimento enfrentou, especialmente após parecer técnico contrário da Caixa Econômica Federal que alertava sobre a alta exposição a riscos financeiros.
Detalhes dos Investimentos e Reações
A sequência de investigações e aprovações rápidas de investimentos no Master, que totalizou R$ 400 milhões em um curto espaço de tempo, foi marcada por deliberações rápidas e até mesmo opiniões divergentes de conselheiros. As reuniões posteriores foram menos amigáveis, com conselheiros expressando preocupações sobre a concentração de títulos e riscos associados com a falta de garantias adequadas. A pressão para aprovar esses investimentos, mesmo em meio a evidências de riscos, destaca a fragilidade da supervisão e a urgência que permeou essas decisões.
Os conselheiros Alex Monteiro e Gláucio Bezerra, que levantaram preocupações sobre as operações, foram ignorados pela liderança do comitê, que, sob a direção de Lemos, priorizou a continuidade dos investimentos no Master. A resistência a investigações mais profundas, como diligências no próprio banco, expõe uma falta de transparência que pode levar a consequências graves para o fundo de pensão e seus beneficiários.
Consequências e Futuro do Fundo
À medida que a Polícia Federal avança nas investigações sobre o fundo de pensão e as operações com o Banco Master, emerge uma preocupação generalizada sobre o futuro das pensões do estado. A relação entre os dirigentes da Amapá Previdência e o clã Alcolumbre, especialmente Davi Alcolumbre, presidente do Senado e influente na política local, reforça a necessidade de uma análise crítica sobre as práticas de governança no setor público. A defesa de Alcolumbre pela transparência e responsabilidade em relação ao caso é um primeiro passo, mas os desdobramentos das investigações poderão redefinir a confiança da população nas instituições envolvidas.
Conclusão
O caso do aporte no Banco Master evidencia uma confluência perigosa entre política e investimentos públicos. As revelações sobre pressões externas e o comprometimento das decisões ressaltam a necessidade urgente de uma reforma na gestão de recursos previdenciários, assegurando que a proteção dos direitos dos beneficiários seja priorizada. Conforme as investigações avançam, espera-se que medidas sejam adotadas para restaurar a confiança no sistema previdenciário do estado do Amapá.